Entenda como se prevenir da recorrência de cálculos renais

A prevalência de cálculos renais está aumentando com a diminuição da proporção de homens para mulheres. Os cálculos estão associados à doença renal crônica, síndrome metabólica, hipertensão, doença arterial coronariana e redução da densidade mineral óssea. Os pacientes devem entender as pedras como marcadores de desequilíbrio metabólico, pressagiando outras comorbidades.

Portanto, a prevenção da recorrência de cálculos oferece uma oportunidade para evitar episódios de cálculos dolorosos e caros, enquanto melhora a saúde geral por meio de intervenções dietéticas e farmacológicas.

A maioria das pedras é composta de oxalato de cálcio e fosfato de cálcio. Fatores ambientais e genéticos contribuem para sua formação. Os médicos devem buscar os fenótipos dos distúrbios raros, monogênicos e autossômicos recessivos. Uma história de dieta, ocupações, uso de antibióticos, suplementos e atividades atléticas deve ser obtida. As mulheres, especialmente os indivíduos mais jovens, têm mais pedras de fosfato de cálcio do que os homens.

Enfoque no tratamento

Envolvemo-nos na tomada de decisão compartilhada com os pacientes. Eles podem considerar os cálculos renais um inconveniente raro ou o pior tipo de sofrimento, afetando suas escolhas de aumentar a ingestão de líquidos, alterar sua dieta e tomar medicamentos, potencialmente para o resto de suas vidas.

Terapia empírica versus terapia direcionada

Aumentar a ingestão de líquidos como terapia empírica é sempre apropriado. É seguro, barato, eficaz e comprovado por especialistas. A maioria deve ser água, mas não café ou álcool, nem refrigerantes. Muitos pacientes não conseguem atingir essas doses ou ter ocupações, como motoristas de táxi e cirurgiões, que evitam a ingestão elevada de líquidos ou o acesso a banheiros. Nesses casos, é necessária mais atenção à manipulação da dieta ou medicamentos.

Outra terapia empírica é a manipulação dietética após a avaliação da dieta típica do paciente. Existem várias opções, mas os princípios são semelhantes. Muitos pacientes ainda são informados incorretamente, ou intuem erroneamente, que a ingestão de cálcio mais baixa é obrigatória.

É recomendado aumentar frutas e vegetais, que contêm citrato; menos proteína animal na dieta e sódio; e eliminação de suplementos de cálcio e vitamina C. Os vegetarianos podem ter pedras de oxalato de cálcio coincidindo com maior consumo de espinafre, soja, feijão e nozes, sem ingestão de laticínios para reduzir a absorção intestinal de oxalato. A excreção urinária de oxalato pode normalizar se a ingestão de oxalato for reduzida e a ingestão concomitante de laticínios for encorajada. A água também deve acompanhar os itens contendo mais oxalato.

Dessa forma, a abordagem para pacientes com cálculos recorrentes de cálcio é avaliar o risco de recorrência. A prescrição empírica de líquidos e dieta pode ser altamente eficaz. Para formadores de cálculo pela primeira vez motivados, pacientes com mais de um episódio, ou maior risco, recomendamos uma coleta de urina de 24 horas e uma prevenção alimentar e farmacológica de cálculo mais direcionada. Ressalto, ainda, que uma conversa construtiva entre o médico e o paciente leva a uma efetiva tomada de decisão compartilhada.

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Dr. Tiago

Mierzwa

– Mestre em Clínica Cirúrgica pela Universidade Federal do Paraná

– Coordenador dos Serviços de Andrologia do Hospital Nossa Senhora das Graças e Hospital Universitário Cajuru

– Membro Professor do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia

– Membro da Sociedade Brasileira de Urologia/ American Urological Association/ International Society for Sexual Medicine/ Sociedade LatinoAmericana de Medicina Sexual

– ABEMSS/ Confederación Americana de Urologia/ Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida