O câncer de próstata é o tipo de câncer mais comum em homens, representando 29% dos diagnósticos da doença no país. Importante lembrarmos que esse tipo de condição pode ser localizado, ou seja, apenas na próstata ou disseminado. Com acometimento para além deste órgão, podendo atingir linfonodos e, em seguida, ossos e, com menos frequência, o fígado e outros órgãos.
A opção de ressecção cirúrgica pode ser mais eficaz quando a doença é localizada, uma vez que é um passo para a remissão do câncer. Então, o enfoque de hoje será esse. Para essa intervenção, chamada de prostatectomia radical, pode-se utilizar a cirurgia robótica, a qual fornece inúmeros benefícios ao paciente ao invés de uma abordagem via laparoscopia ou do tipo cirurgia aberta.
Benefícios da cirurgia robótica para tratamento do câncer de próstata
Primeiramente, é importante esclarecer que, diante de estudos, tanto a abordagem, laparoscópica ou robótica oferecem benefícios bastante parecidos entre si em termos de resultados funcionais e oncológicos. O que irá pesar na decisão e escolha são as consequência intra e pós operatórias. No entanto, a cirurgia assistida por robô pode facilitar a identificação da preservação do nervo, o que leva a uma recuperação precoce da potência em casos de câncer de próstata de baixo risco.
Além disso, cirurgiões robóticos podem escolher um plano de dissecção mais próximo da próstata que poderia resultar em margem cirúrgica para a cápsula desses órgãos em tumores de baixo risco.
Vantagens da cirurgia robótica
Menor tempo operatório: Pelo fato da cirurgia robótica oferecer melhor precisão há menor chance de “erros”. Assim, com o tempo reduzido há menor exposição do corpo ao ambiente. Consequentemente, menor risco de infecção;
Internação hospitalar com tempo reduzido, já que, geralmente, não há ou ocorrem poucas intercorrências durante o procedimento;
Menor taxa de complicações;
Pouca perda de sangue.
Complicações esperadas da prostatectomia radical
Impotência: A maioria dos homens experimenta pelo menos disfunção erétil temporária, mesmo após procedimentos de preservação dos nervos. Vários fatores influênciam na recuperação da função erétil: idade, funcionamento sexual pré-tratamento e tipo de cirurgia (preservação dos nervos versus não preservação dos nervos);
Incontinência urinária: danos ao esfíncter urinário podem causar incontinência urinária após prostatectomia radical. Assim, a maioria dos homens apresenta algum grau de incontinência urinária após a prostatectomia radical, particularmente a incontinência de estresse. Homens mais velhos apresentam taxas mais altas de incontinência urinária permanente após a prostatectomia em comparação com homens mais jovens;
Estenoses uretrais – as estenoses uretrais após a prostatectomia radical podem ocorrer por contratura do colo da bexiga ou estreitamento da uretra em locais mais distais. A estenose uretral pode se manifestar por sintomas de diminuição do fluxo urinário, retenção urinária ou incontinência por transbordamento.
Hérnias – A incidência de hérnias inguinais parece aumentar após a prostatectomia radical retropúbica. Isso acontece devido tanto à detecção de hérnias preexistentes que não foram diagnosticadas no pré-operatório. Da mesma forma, quando detectadas alterações da anatomia inguinal durante a cirurgia.
Sintomas de hiperplasia prostática benigna: Homens que se submetem à prostatectomia radical para câncer de próstata localizado frequentemente apresentam sintomas de pré-tratamento do trato urinário inferior. Estes ocorrem devido a hiperplasia benigna da próstata e não a tumor. Essa intervenção pode reverter parcialmente ou prevenir a progressão de tais sintomas.
Devido à precisão da técnica, a cirurgia robótica garante redução nas complicações na prostatectomia radical. Muitas vezes, nem chegam a acontecer.
Portanto, converse melhor com o seu médico urologista para saber mais sobre a cirurgia robótica. Dessa maneira, ele te ajudará a sanar todas as suas dúvidas.
Autor

Dr. Tiago Mierzwa é urologista e andrologista em Curitiba, referência nacional em medicina sexual masculina, andrologia e cirurgias urológicas de alta complexidade. Sua atuação abrange o tratamento da disfunção erétil, implante de prótese peniana inflável e maleável, doença de Peyronie (curvatura peniana), varicocele, infertilidade masculina, vasectomia sem cortes, reversão de vasectomia microcirúrgica, postectomia com grampeador, engrossamento peniano com ácido hialurônico (Urofill), reabilitação sexual pós-câncer de próstata e reposição de testosterona.
Em 2025, tornou-se o 1º Centro de Excelência em Prótese Peniana Inflável Coloplast do Sul do Brasil e o 3º do país — certificação concedida a cirurgiões com alto volume cirúrgico, resultados clínicos consistentes e aderência a rigorosos padrões técnicos e científicos. Em 2024, recebeu o Prêmio Urofill Master Sculptor pela excelência na técnica de engrossamento peniano, sendo também Urofill Local Trainer, chancelado pelo Dr. Paul Perito, criador da técnica.
Graduado pela Faculdade Assis Gurgacz (FAG), realizou residência em Cirurgia Geral no Hospital Universitário do Oeste do Paraná e residência em Urologia no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba. Aprofundou sua formação em Andrologia no Projeto ALFA, em São Paulo, e realizou Observership em Medicina Sexual na Rush University, em Chicago (EUA), onde aprimorou técnicas minimamente invasivas para implante de prótese peniana e tratamento da disfunção erétil. É Mestre em Clínica Cirúrgica pela UFPR. Mantém atualização contínua com treinamentos em Londres, Istambul, Barcelona, Minneapolis, Miami, Las Vegas, Bogotá e São Paulo.
Coordena cursos de formação de urologistas em implante de prótese peniana inflável e atua como organizador de eventos científicos em andrologia no Brasil e no exterior.
É Chefe do Serviço de Andrologia do Hospital Universitário Cajuru (HUC/PUC-PR) e do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), além de Preceptor da Residência de Urologia nessas instituições. Atende em Curitiba nos hospitais Nossa Senhora das Graças, Vita Curitiba, Marcelino Champagnat, Santa Cruz (Rede D'Or) e Universitário Cajuru, e integra a equipe da Androlab — Clínica da Fertilidade.
Membro Professor do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e do Comitê de Relações Exteriores da SBU. Integra ainda a American Urological Association (AUA), Sociedade Europeia de Urologia (EAU), Society of Urologic Prosthetic Surgeons (SUPS), Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM), Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS), Confederación Americana de Urología (CAU) e Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.
CRM-PR 32299 | RQE 24845



