A Varicocele deixa sequelas após a cirurgia?

Varicocele: A cirurgia deixa sequelas?

A maioria dos homens que chega ao meu consultório com esse diagnóstico traz a mesma dúvida, mas raramente a verbaliza logo de início: A Varicocele deixa sequelas após a cirurgia?

Fica rondando ali, enquanto a consulta acontece: e se eu operar e piorar? É uma preocupação legítima.

A varicocele é uma das condições mais comuns que trato na andrologia, mas também uma das mais cercadas de informação confusa. O que quero fazer neste artigo é te explicar, com clareza, o que de fato acontece antes e depois da cirurgia, para que você tome sua decisão com base em informações verdadeiras.

Dr. Tiago Mierzwa, Urologista e Andrologista referência no tratamento de varicocele em Curitiba.

Você tem dúvidas sobre varicocele ou está considerando a cirurgia? Agende sua consulta com o Dr. Tiago Mierzwa, Urologista e Andrologista.

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Dr. Tiago

Mierzwa

– Mestre em Clínica Cirúrgica pela Universidade Federal do Paraná

– Coordenador dos Serviços de Andrologia do Hospital Nossa Senhora das Graças e Hospital Universitário Cajuru

– Membro Professor do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia

– Membro da Sociedade Brasileira de Urologia/ American Urological Association/ International Society for Sexual Medicine/ Sociedade LatinoAmericana de Medicina Sexual

– ABEMSS/ Confederación Americana de Urologia/ Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida

Varicocele: O que está acontecendo dentro do seu testículo?

Para entender por que a varicocele incomoda e por que ela pode prejudicar sua fertilidade, é preciso primeiro entender o que ela é de verdade.

Varicocele é a dilatação das veias que drenam o sangue do testículo, estruturas chamadas de plexo pampiniforme.

Em condições normais, esse sistema venoso funciona como um mecanismo de troca de calor, mantendo a temperatura testicular alguns graus abaixo da temperatura corporal. Isso é fundamental, porque os espermatozoides só se desenvolvem bem nessa faixa de temperatura mais baixa.

Quando as veias dilatam e o refluxo venoso se instala, esse mecanismo falha. O sangue aquecido passa a se acumular ao redor do testículo, elevando a temperatura local de forma contínua.

Com o tempo, esse desequilíbrio térmico interfere diretamente na produção e na qualidade dos espermatozoides.

Além do calor, há outro fator importante: o acúmulo de toxinas e radicais livres na região. Esse ambiente hostil ao tecido testicular contribui para a queda na concentração de espermatozoides, redução na motilidade, ou seja, na capacidade de movimento e aumento de formas anormais.

Vale destacar que a condição afeta entre 15% e 20% dos homens em geral, e a maioria deles tem filhos sem qualquer dificuldade.

O que a varicocele faz, portanto, é aumentar um risco e a magnitude desse risco varia conforme o grau da dilatação, o tempo de evolução e características individuais que só uma avaliação clínica consegue mapear.

Um ponto que sempre reforço: a varicocele causa dano progressivo ao longo do tempo. Quanto mais cedo ela é identificada e tratada, quando há indicação, mais preservamos a função testicular, tanto do ponto de vista seminal quanto hormonal.

A varicocele pode afetar a testosterona também?

Sim, esse é um aspecto que muitos homens desconhecem quando chegam ao consultório.

As células de Leydig, responsáveis pela produção de testosterona dentro do testículo, também são afetadas pelo ambiente adverso criado pela varicocele.

Por isso, em alguns pacientes, especialmente naqueles com varicocele bilateral ou de grau elevado, observo queda nos níveis de testosterona sem outra causa aparente.

Esse dado é importante porque, na prática, significa que tratar a varicocele quando bem indicado pode, além de melhorar os parâmetros seminais, contribuir para a recuperação hormonal.

Não é uma garantia, mas é um benefício adicional que vale considerar.

Quando investigar com espermograma?

O espermograma funciona como um mapa da situação atual. Ele mostra se a varicocele está impactando a produção seminal de forma clinicamente relevante e, a partir disso, orienta a decisão entre tratar ou acompanhar.

Essa investigação faz sentido nas seguintes situações:

Dificuldade para engravidar após um ano de tentativas: Esse é o critério clássico.

Quando o casal está tentando de forma regular, no período fértil, sem uso de métodos contraceptivos, e o bebê não vem após 12 meses, o homem deve ser investigado. Em 50% dos casos de infertilidade conjugal, existe um fator masculino envolvido.

Varicocele de grau significativo identificada ao ultrassom em um homem que planeja ter filhos.

Mesmo antes de iniciar as tentativas, é possível avaliar o impacto da varicocele na função seminal, especialmente quando o grau é elevado.

Dor escrotal recorrente associada à dilatação confirmada ao exame físico: Nesse caso, o espermograma ajuda a entender se há comprometimento funcional além do sintoma.

Queda nos níveis de testosterona sem causa aparente: Como mencionei anteriormente, a varicocele pode comprometer a produção hormonal, e o espermograma faz parte da avaliação andrológica completa nesses casos.

Um detalhe técnico importante: um resultado alterado pede confirmação com uma segunda coleta, respeitando intervalo mínimo de 60 a 90 dias.

Isso porque um ciclo completo de produção de espermatozoides dura em torno de 72 dias e uma análise isolada pode não representar o quadro real, já que fatores como febre, estresse ou períodos de abstinência inadequados influenciam o resultado.

Existe algo além do espermograma que preciso saber?

Sim. Esse é um ponto que discuto com frequência no consultório e que considero muito relevante para quem já tem espermograma normal mas continua sem conseguir engravidar.

A varicocele pode causar uma alteração no DNA do espermatozoide que não aparece no espermograma convencional.

O espermograma avalia o espermatozoide por fora, concentração, movimento, formato. Mas ele não consegue avaliar a carga genética que esse espermatozoide carrega para fertilizar o óvulo.

Quando o espermograma é normal e mesmo assim o casal não engravida, ou quando há abortamentos de repetição sem causa identificada, o exame de fragmentação do DNA espermático pode ser a chave para entender o que está acontecendo.

De forma geral, valores abaixo de 25% são considerados dentro do esperado. Acima disso, temos um exame alterado que pode estar relacionado com dificuldade para engravidar, perdas gestacionais e, em alguns casos, maior risco de alterações no embrião.

Quando esse índice está elevado em um paciente com varicocele, a indicação cirúrgica fica ainda mais embasada e os resultados após a correção são, em geral, bastante favoráveis.

O que a cirurgia de varicocele faz e o que ela não faz?

A varicocelectomia microcirúrgica subinguinal é hoje a abordagem que considero padrão-ouro para o tratamento da varicocele.

Realizada com magnificação óptica, o microscópio cirúrgico, ela permite identificar e preservar com precisão as estruturas críticas ao redor da veia: a artéria testicular, os vasos linfáticos e o ducto deferente.

Essa precisão é justamente o que diferencia a técnica atual das abordagens mais antigas, feitas a olho nu.

Antigamente, o cirurgião fazia o corte, visualizava as veias e as ligava sem ampliação. O problema é que, sem o microscópio, é muito difícil distinguir com segurança as veias da artéria testicular e uma lesão arterial compromete gravemente o fornecimento de sangue ao testículo.

Além disso, nos últimos anos, passou-se a utilizar um aparelho chamado microdoppler durante a cirurgia. Ele permite identificar com ainda mais precisão o fluxo arterial em tempo real, tornando o procedimento mais seguro e os resultados mais consistentes.

Quais são os riscos reais da cirurgia?

É uma pergunta que todo paciente me faz e que merece uma resposta direta.

Com a técnica microcirúrgica, os números são os seguintes:

  • Hidrocele: acúmulo de líquido ao redor do testículo: ocorre em 1% a 3% dos casos. Acontece principalmente quando os vasos linfáticos são inadvertidamente ligados junto com as veias, daí a importância da magnificação para identificá-los.
  • Lesão da artéria testicular: menos de 1% com essa técnica.
  • Recorrência da varicocele: entre 1% e 5%. Ocorre quando alguma veia não foi identificada e ligada durante o procedimento — risco reduzido com o uso do microscópio e do microdoppler.
  • Atrofia testicular: rara, geralmente associada a lesão vascular não identificada durante o procedimento.

Nas primeiras semanas, desconforto local, equimose e leve edema na região escrotal são esperados e se resolvem sozinhos, sem necessidade de intervenção. A incisão é pequena, em torno de 2,5 cm na região inguinal, e a recuperação costuma ser tranquila para a grande maioria dos pacientes.

Quando o espermograma melhora após a cirurgia?

Esse é um ponto que preciso reforçar com clareza, porque muitos pacientes chegam ao retorno de um mês esperando resultados e ficam ansiosos quando não veem mudança ainda.

A melhora no espermograma leva tempo.

O exame de controle só faz sentido entre três e seis meses após a cirurgia, quando um novo ciclo completo de produção de espermatozoides já ocorreu em condições diferentes.

Pedir o exame antes disso não representa o real impacto da cirurgia.

A embolização é uma boa alternativa à cirurgia?

Para quem prefere evitar incisão, a embolização percutânea é uma opção real e que discuto com os pacientes quando tecnicamente viável.

O procedimento consiste em guiar um cateter por via venosa até a veia comprometida e injetar um agente oclusivo que bloqueia o refluxo, tudo isso sem corte, com anestesia local e sedação leve, e com retorno mais rápido às atividades habituais.

No entanto, há algumas considerações importantes. Em primeiro lugar, a taxa de recorrência é ligeiramente superior à da microcirurgia em vários estudos comparativos. Além disso, nem toda anatomia venosa é favorável ao procedimento, em alguns casos, a variação anatômica das veias torna a embolização tecnicamente inviável ou menos eficaz.

Por isso, a escolha entre as duas abordagens depende sempre do caso específico, da anatomia do paciente e da experiência do serviço. Sempre apresento as duas opções quando ambas são possíveis, e decidimos juntos qual faz mais sentido para cada situação.

Quando operar e quando só acompanhar?

Nem toda varicocele precisa de cirurgia e essa é uma mensagem importante para evitar que o paciente se submeta a um procedimento sem indicação clara.

Varicocele identificada ao ultrassom, sem alteração seminal, sem dor relevante, em um homem que não está tentando ter filhos no momento, raramente justifica intervenção imediata. Nesses casos, o acompanhamento periódico com reavaliação clínica e seminal é uma conduta igualmente válida, respaldada pelas principais diretrizes internacionais de andrologia.

Por outro lado, a intervenção tem indicação clara quando a varicocele é palpável ao exame físico, o espermograma apresenta alguma alteração e não há outra causa identificada para o quadro. Dor persistente que não responde a medidas clínicas também pesa nessa decisão.

Em adolescentes com assimetria testicular progressiva, ou seja, quando um testículo está crescendo menos do que o outro, a avaliação mais precoce é fundamental. Nesse contexto, agir cedo preserva volume e função testicular antes que o dano se consolide de forma irreversível.

Suplementos resolvem a varicocele?

Não. Apesar de serem amplamente divulgados, os suplementos não resolvem a varicocele.

Antioxidantes como coenzima Q10, L-carnitina e vitamina E podem ser usados como adjuvantes em situações específicas, com o objetivo de melhorar parâmetros seminais enquanto o tratamento definitivo é planejado. No entanto, eles não revertem a dilatação venosa e, portanto, não tratam a causa do problema.

Protocolos que prometem resolver a varicocele sem avaliação médica ou sem base em evidência clínica carecem de respaldo científico. O que ocorre é que eles costumam apenas postergar um tratamento que, quando bem indicado e realizado com a técnica correta, tem resultados consistentes e duradouros.

O primeiro passo é agendar a sua consulta

Se você chegou até aqui com dúvidas sobre o seu caso, o próximo passo é uma avaliação presencial.

É na consulta que o médico consegue examinar o grau da varicocele, solicitar os exames adequados e definir a melhor conduta para a sua situação específica.

Dr. Tiago Mierzwa, Urologista e Andrologista
CRM-PR 32299 – RQE 24845
Endereço do Consultório: Urocentro | Rua Portugal 307, São Francisco, Curitiba – PR


Referências

Baazeem A, Belzile E, Ciampi A, et al. Varicocele and male factor infertility treatment: a new meta-analysis and review of the role of varicocele repair. European Urology. 2011;60(4):796–808.

Schlegel PN, Sigman M, Collura B, et al. Diagnosis and treatment of infertility in men: AUA/ASRM guideline part II. Journal of Urology. 2021;205(1):44–51.

Cavallini G, Beretta G. Clinical Management of Male Infertility. Springer International Publishing; 2015.

Autor

  • Dr. Tiago Mierzwa é urologista e andrologista em Curitiba, referência nacional em medicina sexual masculina, andrologia e cirurgias urológicas de alta complexidade. Sua atuação abrange o tratamento da disfunção erétil, implante de prótese peniana inflável e maleável, doença de Peyronie (curvatura peniana), varicocele, infertilidade masculina, vasectomia sem cortes, reversão de vasectomia microcirúrgica, postectomia com grampeador, engrossamento peniano com ácido hialurônico (Urofill), reabilitação sexual pós-câncer de próstata e reposição de testosterona.

    Em 2025, tornou-se o 1º Centro de Excelência em Prótese Peniana Inflável Coloplast do Sul do Brasil e o 3º do país — certificação concedida a cirurgiões com alto volume cirúrgico, resultados clínicos consistentes e aderência a rigorosos padrões técnicos e científicos. Em 2024, recebeu o Prêmio Urofill Master Sculptor pela excelência na técnica de engrossamento peniano, sendo também Urofill Local Trainer, chancelado pelo Dr. Paul Perito, criador da técnica.

    Graduado pela Faculdade Assis Gurgacz (FAG), realizou residência em Cirurgia Geral no Hospital Universitário do Oeste do Paraná e residência em Urologia no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba. Aprofundou sua formação em Andrologia no Projeto ALFA, em São Paulo, e realizou Observership em Medicina Sexual na Rush University, em Chicago (EUA), onde aprimorou técnicas minimamente invasivas para implante de prótese peniana e tratamento da disfunção erétil. É Mestre em Clínica Cirúrgica pela UFPR. Mantém atualização contínua com treinamentos em Londres, Istambul, Barcelona, Minneapolis, Miami, Las Vegas, Bogotá e São Paulo.

    Coordena cursos de formação de urologistas em implante de prótese peniana inflável e atua como organizador de eventos científicos em andrologia no Brasil e no exterior.

    É Chefe do Serviço de Andrologia do Hospital Universitário Cajuru (HUC/PUC-PR) e do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), além de Preceptor da Residência de Urologia nessas instituições. Atende em Curitiba nos hospitais Nossa Senhora das Graças, Vita Curitiba, Marcelino Champagnat, Santa Cruz (Rede D'Or) e Universitário Cajuru, e integra a equipe da Androlab — Clínica da Fertilidade.

    Membro Professor do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e do Comitê de Relações Exteriores da SBU. Integra ainda a American Urological Association (AUA), Sociedade Europeia de Urologia (EAU), Society of Urologic Prosthetic Surgeons (SUPS), Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM), Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS), Confederación Americana de Urología (CAU) e Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.

    CRM-PR 32299 | RQE 24845

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