Remoção de prótese peniana: complicações e reoperação

Remoção de prótese peniana: complicações e reoperação

A remoção de prótese peniana é um procedimento que, embora não seja o desfecho esperado para quem passou pelo implante, faz parte da realidade clínica do tratamento da disfunção erétil. Para o homem que pesquisa sobre o assunto, entender quando essa retirada se torna necessária, quais complicações podem exigir reoperação e o que acontece com o pênis depois disso é essencial para tomar decisões informadas, sem alarmismo e sem ilusões.

Neste artigo, você vai encontrar uma explicação clara sobre as situações que indicam a remoção do dispositivo, como o especialista conduz a cirurgia de resgate e o que a literatura médica diz sobre a recuperação peniana após a explantação.


Por que a remoção de uma prótese peniana pode ser necessária?

De modo geral, fabricantes projetam a prótese peniana, seja inflável ou maleável, para durar por muitos anos. Estudos mostram que, quando bem indicada e realizada por um especialista experiente, a taxa geral de complicações fica abaixo de 5%. Ainda assim, complicações existem, e algumas delas indicam a retirada do dispositivo.

As situações mais frequentes que levam à remoção incluem:

  • Infecção do implante: É a complicação mais temida e, em muitos casos, a mais grave. A infecção de uma prótese peniana raramente responde a antibióticos isoladamente, pois as bactérias aderem ao material do dispositivo formando um biofilme que a medicação não consegue penetrar de forma eficaz. Nessas situações, portanto, a remoção da prótese costuma ser inevitável.
  • Erosão ou exteriorização: Quando o dispositivo migra e começa a se exteriorizar pela pele ou pela uretra, a intervenção cirúrgica também se torna necessária. Nesse sentido, a detecção precoce é fundamental para ampliar as opções terapêuticas.
  • Falha mecânica: Em próteses infláveis, componentes como cilindros, reservatório ou o pump podem falhar ao longo do tempo. Em alguns casos, a substituição é feita; em outros, dependendo das condições locais, a retirada sem reimplante imediato pode ser a conduta mais segura.
  • Fibrose extensa dos corpos cavernosos: Cirurgias prévias, infecções tratadas ou priapismo podem gerar fibrose intensa, dificultando ou contraindicando um novo implante imediato.

Dr. Tiago

Mierzwa

– Mestre em Clínica Cirúrgica pela Universidade Federal do Paraná

– Coordenador dos Serviços de Andrologia do Hospital Nossa Senhora das Graças e Hospital Universitário Cajuru

– Membro Professor do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia

– Membro da Sociedade Brasileira de Urologia/ American Urological Association/ International Society for Sexual Medicine/ Sociedade LatinoAmericana de Medicina Sexual

– ABEMSS/ Confederación Americana de Urologia/ Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida

O que é a infecção de prótese peniana e por que ela exige remoção?

Entre as complicações que indicam a remoção de prótese peniana, a infecção merece atenção especial. O risco de infecção em um implante primário varia entre 1% e 3%, de acordo com a literatura urológica. Esse risco aumenta em pacientes com diabetes, lesões medulares, cirurgias pélvicas prévias ou que fazem uso prolongado de corticosteroides.

Em geral, o sinal de alerta costuma aparecer nas primeiras semanas ou meses após a cirurgia. Febre persistente, dor desproporcional no local do implante, calor e vermelhidão na bolsa escrotal ou na base do pênis são sintomas que precisam ser avaliados com urgência.

Contudo, a razão pela qual a infecção raramente responde ao tratamento clínico está, sobretudo, na formação de biofilme bacteriano sobre a superfície do dispositivo. Esse filme protege as bactérias da ação dos antibióticos, tornando a erradicação da infecção praticamente impossível sem a remoção física do implante. Por isso, na maioria dos casos, a retirada cirúrgica é inevitável.

Nesse contexto, o urologista especialista em andrologia avaliará a extensão da infecção e determinará a melhor estratégia, que pode incluir a remoção seguida de reimplante imediato ou diferido.


O que é a cirurgia de resgate (salvage surgery)?

A cirurgia de resgate, ou salvage surgery, representa uma abordagem desenvolvida para lidar com infecções de prótese peniana tentando ao mesmo tempo salvar o comprimento peniano e manter as condições para um futuro reimplante.

Nesse procedimento, o cirurgião remove o dispositivo infectado, realiza uma irrigação copiosa das estruturas locais com soluções antibióticas e, em seguida, implanta uma prótese maleável como dispositivo temporário de manutenção do espaço. Esse implante provisório tem, portanto, um papel importante: ele preserva o tamanho peniano, evitando o encurtamento que ocorre quando os corpos cavernosos ficam sem dispositivo e sofrem fibrose progressiva.

Vale lembrar que a prótese maleável, nesse contexto, não é a solução definitiva. Ela funciona como um “mantedor de espaço” enquanto a infecção é completamente controlada e o organismo se estabiliza para o reimplante do dispositivo definitivo.


Quando é possível reimplantar uma nova prótese após a remoção?

Após a remoção de uma prótese peniana por infecção, o reimplante do novo dispositivo depende de alguns fatores clínicos importantes. Em primeiro lugar, o urologista avaliará se a infecção foi completamente erradicada. Isso inclui marcadores laboratoriais de inflamação dentro da normalidade, ausência de sinais clínicos de infecção ativa e, em muitos casos, um período de antibioticoterapia guiada pela cultura do material removido.

Além disso, condições como o controle glicêmico em pacientes diabéticos, o estado nutricional e a integridade dos tecidos locais influenciam diretamente na decisão e no momento do reimplante.

Quando o especialista realiza a cirurgia de resgate com implante maleável, costuma planejar o reimplante da prótese definitiva para um período posterior, após a estabilização clínica e a confirmação de que o ambiente local está favorável.


O que acontece com o pênis após a remoção da prótese?

Essa é uma das preocupações mais frequentes entre os pacientes. A resposta depende, sobretudo, do tempo em que os corpos cavernosos ficam sem dispositivo e sem uso.

Quando o cirurgião remove a prótese e não há reimplante em tempo adequado, os corpos cavernosos tendem a sofrer fibrose progressiva. Esse processo de cicatrização excessiva do tecido erétil leva ao encurtamento peniano e, subsequentemente, dificulta ou até inviabiliza um futuro reimplante de prótese inflável. Por isso, a manutenção de um dispositivo no espaço, mesmo que temporário, é estratégica.

Para pacientes que perdem a prótese por infecção e ficam sem dispositivo por um período prolongado, o uso da bomba peniana a vácuo pode ser recomendado pelo especialista. Essa estratégia ajuda a manter alguma perfusão e elasticidade nos corpos cavernosos, reduzindo a progressão da fibrose.


Quais são os fatores de risco para as complicações que levam à remoção?

Compreender os fatores que aumentam o risco de complicações pode ajudar o paciente a se preparar melhor para a cirurgia e a seguir os cuidados pré e pós-operatórios com mais rigor.

Entre os principais fatores de risco associados a complicações que levam à remoção do implante, destacam-se:

  • Diabetes mellitus: Pacientes diabéticos com controle glicêmico inadequado apresentam maior risco de infecção, cicatrização comprometida e falha de implante.
  • Reimplante (cirurgia de revisão): O risco de infecção em reimplantes supera o de implantes primários, pois o cirurgião já manipulou o tecido local anteriormente.
  • Cirurgias pélvicas prévias: Incluindo prostatectomia radical, radioterapia pélvica ou cirurgias para correção de incontinência.
  • Lesão medular: Esses pacientes apresentam alteração da sensibilidade, o que pode retardar a identificação precoce de sinais de infecção.
  • Duração prolongada da cirurgia: Procedimentos mais longos aumentam o tempo de exposição dos tecidos, elevando o risco de contaminação.

Como o especialista reduz o risco de complicações no pré-operatório?

O cuidado começa muito antes da sala cirúrgica. Um urologista experiente em andrologia realiza um preparo pré-operatório criterioso, que inclui avaliação clínica detalhada, controle de doenças crônicas, higienização rigorosa da região e uso de antibióticos profiláticos perioperatórios.

Além disso, a escolha da equipe e do material também interfere nos resultados. Estudos prospectivos associam próteses com revestimento antiinfeccioso, como as impregnadas com antibióticos ou com cobertura hidrofílica, a taxas menores de infecção. A experiência do cirurgião e o volume de casos realizados anualmente também influenciam diretamente nos resultados.


O que avaliar antes de decidir pelo implante de prótese peniana?

Para quem está pesquisando sobre prótese peniana e chegou a este artigo com dúvidas sobre a retirada, é importante compreender que as complicações graves, embora reais, não são a regra. Elas representam uma fração dos casos, e a maior parte delas ocorre em perfis clínicos específicos de maior vulnerabilidade.

Ainda assim, conhecer os riscos é parte do processo de decisão compartilhada que deve acontecer entre o paciente e o urologista antes de qualquer procedimento cirúrgico.

Antes de optar pelo implante, é fundamental que o paciente:

  • Esteja psicologicamente estável e com expectativas realistas sobre o resultado;
  • Compreenda que a prótese peniana é um tratamento funcional, e não estético;
  • Tenha suas doenças crônicas controladas, especialmente o diabetes;
  • Escolha um especialista com formação específica em andrologia e experiência comprovada em implante de prótese peniana.

Para entender mais sobre como é o procedimento do implante e os cuidados após a cirurgia, você pode acessar nosso artigo sobre prótese peniana: aspectos cirúrgicos e recuperação. Se quiser conhecer os tipos disponíveis e suas diferenças, confira também como funciona a prótese peniana inflável e a maleável.


Quando buscar uma avaliação especializada?

Qualquer paciente que já realizou o implante de prótese peniana e apresente sintomas como dor progressiva no local do dispositivo, febre, vermelhidão, calor na região escrotal ou dificuldade para acionar o dispositivo deve procurar o urologista especialista com urgência. A identificação precoce de complicações é determinante para ampliar as opções terapêuticas disponíveis e preservar a anatomia peniana.

Da mesma forma, pacientes em investigação diagnóstica para implante de prótese que tenham histórico de cirurgias pélvicas, diabetes ou outros fatores de risco devem discutir essas condições abertamente durante a consulta, para que o especialista possa planejar o procedimento com toda a cautela necessária.


Dr. Tiago Mierzwa: urologista e andrologista referência em Curitiba

Urologista e Andrologista com atuação exclusiva em medicina sexual, o Dr. Tiago Mierzwa é referência em Curitiba e região no diagnóstico e tratamento da disfunção erétil. Cada caso recebe avaliação individualizada, com conduta baseada em critérios clínicos e científicos atualizados.

Tem dúvidas sobre prótese peniana ou quer saber se essa é a melhor opção para o seu caso? Entre em contato com nosso atendimento e agende sua consulta. Dê o próximo passo para cuidar da sua saúde sexual com orientação especializada.


Referência científica

Trost LW, Boonjindasup A, Hellstrom WJ. Reoperation Rates for Penile Prosthetic Surgery. The Journal of Urology, 2016. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26755095/

Aytekin A, Tarhan F. A systematic review of penile prosthesis infection and meta-analysis of diabetes mellitus role. BMC Urology, 2021. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7945372/

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– ABEMSS/ Confederación Americana de Urologia/ Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida

				
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