Infertilidade masculina causada por azoospermia: saiba mais!

azoospermia

A infertilidade em um casal é definida como a incapacidade de conceber, apesar de um ano de relações sexuais frequentes e desprotegidas. De acordo com estudos, em aproximadamente 50% dos casais com infertilidade, um fator masculino é identificado. O enfoque da nossa conversa será sobre a azoospermia.

Avaliação dos antecedentes do paciente com azoospermia

Uma avaliação completa deve incluir a análise do histórico desse paciente desde a presença de doenças infantis (como orquite viral ou criptorquidia), trauma genital, medicamentos e alergias até uma inspeção de infecções anteriores, como doenças sexualmente transmissíveis. É importante avaliar, também, as exposições às gonadotoxinas e a radioterapia ou quimioterapia anteriores. Assim, é sempre importante reconhecer que a infertilidade pode ser a manifestação inicial de uma condição médica passada ou presente.

Principais causas da azoospermia

Embora existam muitas causas de azoospermia, as etiologias deste distúrbio podem ser divididas em três categorias principais, entre elas: pré-testicular, testicular e pós-testicular. Confira a abordagem de cada uma delas em detalhes:

Causas pré-testiculares

Também chamadas de insuficiência testicular secundária, geralmente resultam de condições endócrinas patológicas, envolvendo alterações hormonais que vão modificar a produção dos espermatozoides. Confira!

Hipogonadismo hipogonadotrópico: As causas típicas de hipogonadismo hipogonadotrópico incluem a síndrome de Kallmann, trauma hipofisário, tumores hipofisários e uso de esteróides anabolizantes. Essa condição, no entanto, é uma causa rara de infertilidade masculina, e o distúrbio pode ser classificado como congênito ou adquirido. A síndrome de Kallmann é uma causa congênita que está associada à redução no nível da secreção hipotalâmica do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), alterando a produção da testosterona.

Etiologias testiculares

As etiologias testiculares, amplamente denominadas como insuficiência testicular primária, são distúrbios intrínsecos da espermatogênese. A patologia testicular direta pode derivar de dano testicular induzido por varicocele, testículos que não desceram, torção testicular, orquite por caxumba, efeitos gonadotóxicos de medicamentos, anormalidades genéticas e causas idiopáticas.

Varicocele: Azoospermia em associação com varicocele ocorre em 5 a 10% dos homens. No entanto, ainda não se sabe por que a varicocele pode ter um efeito devastador, levando à azoospermia, em alguns pacientes, enquanto 75% dos homens que apresentam varicocele possuem sêmen normais;

Testículos que não desceram: Essa condição é caracterizada por uma malformação genital mais comum em meninos. O tratamento precoce pode potencialmente minimizar o risco de infertilidade, e o sucesso depende da posição inicial do testículo. Esta condição deve ser tratada cirurgicamente antes da criança completar um ano e meio de vida;

Torção testicular: De acordo com estudos, essa condição ocorre em aproximadamente 1:4.000 homens antes dos 25 anos. Esse distúrbio exige exploração cirúrgica imediata e os riscos do manejo não operatório precisam ser bem detalhados. A preservação testicular geralmente é alcançada se a exploração cirúrgica for realizada dentro de 6 horas após o início dos sintomas.

A oligospermia ou azoospermia severa é rara após torção testicular unilateral; no entanto, essas condições são possíveis quando o testículo contralateral experimentou qualquer anormalidade anterior, como orquipexia para um testículo não descido;

Orquite de caxumba: Desde a introdução da vacina contra o vírus da caxumba, o risco de caxumba e suas complicações foi reduzido. Por outro lado, a orquite da caxumba ainda deve ser suspeitada nos casos de inchaço escrotal, visto que houve um aumento recente da orquite da caxumba entre homens púberes e pós-púberes;

Gonadotoxinas e medicamentos: drogas e medicamentos podem prejudicar a fertilidade masculina por meio de quatro mecanismos distintos: 1) efeitos gonadotóxicos diretos, 2) alteração do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal (HPG), 3) disfunção da ejaculação e 4) redução da libido. Enquanto isso, as gonadotoxinas afetam a espermatogênese por lesão direta às células germinativas no testículo.

Causas pós-testiculares de azoospermia

As causas pós-testiculares da azoospermia são devidas à obstrução da liberação de esperma ou à disfunção ejaculatória. O manejo clínico da azoospermia obstrutiva depende de sua causa e também deve levar em consideração quaisquer fatores de infertilidade coexistentes na parceira. Portanto, ambos os parceiros devem ser avaliados cuidadosamente antes de fazer qualquer recomendação de tratamento.

Ausência de canal deferente

A ausência bilateral congênita dos canais deferentes é encontrada em 1% dos homens inférteis e em até 6% daqueles com azoospermia obstrutiva.

Obstrução de canal deferente: A causa mais comum de obstrução dos canais deferentes é a vasectomia realizada para esterilização eletiva;

Obstrução epididimal: A síndrome de Young é uma tríade de distúrbios que engloba sinusite crônica, bronquiectasia e azoospermia obstrutiva. A causa exata da azoospermia não está completamente elucidada, mas é mais provável devido à obstrução do epidídimo por secreções inspiradas;

Obstrução do ducto ejaculatório: Essa é uma condição caracterizada pela obstrução de um ou de ambos os dutos ejaculatórios e pode ser congênita ou adquirida;

Distúrbios da ejaculação: Deve-se suspeitar de disfunção ejaculatória em qualquer paciente com baixo volume (<1,0 ml) ou ausência de ejaculação e deve ser diferenciada de anorgasmia. A ejaculação retrógrada pode ser definida como o fluxo anormal de sêmen para a bexiga com a ejaculação. As causas podem ser anatômicas, neurogênicas, farmacológicas ou idiopáticas.

Converse com o seu médico urologista sobre essas possíveis causas.

Autor

  • Dr. Tiago Mierzwa é urologista e andrologista em Curitiba, referência nacional em medicina sexual masculina, andrologia e cirurgias urológicas de alta complexidade. Sua atuação abrange o tratamento da disfunção erétil, implante de prótese peniana inflável e maleável, doença de Peyronie (curvatura peniana), varicocele, infertilidade masculina, vasectomia sem cortes, reversão de vasectomia microcirúrgica, postectomia com grampeador, engrossamento peniano com ácido hialurônico (Urofill), reabilitação sexual pós-câncer de próstata e reposição de testosterona.

    Em 2025, tornou-se o 1º Centro de Excelência em Prótese Peniana Inflável Coloplast do Sul do Brasil e o 3º do país — certificação concedida a cirurgiões com alto volume cirúrgico, resultados clínicos consistentes e aderência a rigorosos padrões técnicos e científicos. Em 2024, recebeu o Prêmio Urofill Master Sculptor pela excelência na técnica de engrossamento peniano, sendo também Urofill Local Trainer, chancelado pelo Dr. Paul Perito, criador da técnica.

    Graduado pela Faculdade Assis Gurgacz (FAG), realizou residência em Cirurgia Geral no Hospital Universitário do Oeste do Paraná e residência em Urologia no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba. Aprofundou sua formação em Andrologia no Projeto ALFA, em São Paulo, e realizou Observership em Medicina Sexual na Rush University, em Chicago (EUA), onde aprimorou técnicas minimamente invasivas para implante de prótese peniana e tratamento da disfunção erétil. É Mestre em Clínica Cirúrgica pela UFPR. Mantém atualização contínua com treinamentos em Londres, Istambul, Barcelona, Minneapolis, Miami, Las Vegas, Bogotá e São Paulo.

    Coordena cursos de formação de urologistas em implante de prótese peniana inflável e atua como organizador de eventos científicos em andrologia no Brasil e no exterior.

    É Chefe do Serviço de Andrologia do Hospital Universitário Cajuru (HUC/PUC-PR) e do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), além de Preceptor da Residência de Urologia nessas instituições. Atende em Curitiba nos hospitais Nossa Senhora das Graças, Vita Curitiba, Marcelino Champagnat, Santa Cruz (Rede D'Or) e Universitário Cajuru, e integra a equipe da Androlab — Clínica da Fertilidade.

    Membro Professor do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e do Comitê de Relações Exteriores da SBU. Integra ainda a American Urological Association (AUA), Sociedade Europeia de Urologia (EAU), Society of Urologic Prosthetic Surgeons (SUPS), Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM), Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS), Confederación Americana de Urología (CAU) e Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.

    CRM-PR 32299 | RQE 24845

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