“O que eu faço, doutor!? A reversão de vasectomia falhou!” Muitos pacientes que fizeram a vasectomia voltam a manifestar o desejo de ter filhos. Para eles, a solução pode ser a cirurgia de reversão. Trata-se de um procedimento com altas taxas de sucesso, de modo especial, nos primeiros anos após a vasectomia. No entanto, não existe 100% de certeza de que o paciente recuperará a fertilidade.
Neste artigo, vamos falar sobre o que pode causar o insucesso na cirurgia de reversão. E também, sobre alternativas que o paciente ainda terá para concretizar o seu desejo de ter filhos.
Um procedimento mais delicado
A vasectomia consiste no corte dos ductos deferentes. Esses ductos são os canais que transportam os espermatozoides dos testículos (local de sua produção) até a próstata, onde serão misturados ao líquido seminal. Esse corte interrompe a passagem dos espermatozoides, que serão reabsorvidos pelo organismo. Algum tempo após a cirurgia, o sêmen desse paciente já eliminou todos os espermatozoides que se encontravam à frente do corte. Portanto, esse homem é agora infértil.
Já a reversão da vasectomia consiste em uma cirurgia muito mais minuciosa. Trata-se da religação dos ductos deferentes, de modo a permitir novamente o transporte dos espermatozoides. Os canais deferentes têm espessura milimétrica e, por isso, religá-los é uma tarefa delicadíssima, que exige muito mais experiência do cirurgião. Mesmo assim, os índices de sucesso.
Dr. Tiago
Mierzwa


– Mestre em Clínica Cirúrgica pela Universidade Federal do Paraná
– Coordenador dos Serviços de Andrologia do Hospital Nossa Senhora das Graças e Hospital Universitário Cajuru
– Membro Professor do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia
– Membro da Sociedade Brasileira de Urologia/ American Urological Association/ International Society for Sexual Medicine/ Sociedade LatinoAmericana de Medicina Sexual
– ABEMSS/ Confederación Americana de Urologia/ Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
A reversão de vasectomia falhou
No entanto, quando a reversão de vasectomia falha, o médico faz uma avaliação da causa do insucesso e prossegue com o tratamento dessa causa. Obviamente, a esposa do paciente precisa ser fértil. Por isso, antes mesmo de se proceder com a reversão, é feita uma avaliação da mulher. Então, após a cirurgia da reversão, já não se questiona mais sobre a sua fertilidade. O que é preciso agora é verificar no homem qual problema pode estar impedindo-o de engravidar sua mulher.
Avaliação da fertilidade da mulher
A avaliação da fertilidade feminina é importante para identificar possíveis problemas que possam afetar a capacidade da mulher de engravidar. Existem vários exames e testes que podem ser realizados para avaliar a fertilidade feminina.
O primeiro passo na avaliação da fertilidade é uma anamnese, que é um registro detalhado do histórico médico e reprodutivo da mulher. Isso inclui perguntas sobre o ciclo menstrual, gravidezes anteriores, doenças ginecológicas, uso de medicação e outros fatores que possam afetar a fertilidade.
O segundo passo é o exame ginecológico, que inclui a verificação do tamanho e forma dos ovários, a presença de cistos ováricos e a avaliação do endométrio. Além disso, o médico pode coletar uma amostra de muco cervical para avaliar a qualidade do muco e a presença de anticorpos que possam afetar a fertilidade.
Outros exames comuns incluem a dosagem de hormônios, como o FSH, LH, estrogênio e progesterona, para avaliar a função dos ovários e verificar se há ovulação. A avaliação da tuba uterina também pode ser realizada por meio de um exame de ultrassom ou hysterosalpingografia (HSG) para verificar se as tubas estão abertas e se há obstruções. Se houver suspeita de problemas de fertilidade, o médico pode recomendar a realização de exames adicionais, como a avaliação da espermatogênese do parceiro ou a avaliação da fertilidade por meio de técnicas de reprodução assistida.
Quantas vezes posso tentar reverter a vasectomia?
A quantidade de vezes que uma reversão da vasectomia pode ser tentada pode variar de acordo com vários fatores, como a idade da pessoa, o tempo decorrido desde a vasectomia e a qualidade dos espermatozoides. Em geral, a primeira tentativa de reversão é a mais bem-sucedida, mas isso não significa que outras tentativas não possam ser feitas se a primeira não for bem-sucedida.
Avaliação do homem
Assim, o urologista analisará as seguintes possibilidades:
Alteração na produção de espermatozoides: ter tido filhos no passado não representa uma certeza de que o homem ainda produza espermatozoides com qualidade e saúde suficientes. Afinal, durante os últimos anos, ele pode ter feito uso de certos medicamentos ou ter adquirido certos hábitos de vida que prejudicaram a sua produção. Por isso, o médico avalia esse aspecto e, quando necessário, pode entrar com tratamento complementar.
Estenose da anastomose: trata-se do estreitamento do ducto deferente, devido a excessiva cicatrização. Por isso, a reversão de vasectomia deve ser feita com fios muito finos e diversos pontos pequenos. Pois, isso favorece uma cicatrização mais delicada e menos volumosa.
Obstrução mecânica: pode ocorrer o acúmulo de sangue nos testículos, dificultando a passagem dos espermatozoides. A solução para isso é uma compressão adequada do curativo pós-cirúrgico e o devido repouso. A boa notícia é que essa obstrução pode ser temporária, podendo durar até 6 meses.
Portanto, se a reversão de vasectomia falhou, esse ainda não é o fim da linha. Ainda podemos descobrir onde está o problema e, se for possível, solucioná-lo. Converse com o seu urologista para saber mais sobre a reversão de vasectomia.
Após reversão da vasectomia o sexo será normal?
Após a reversão da vasectomia, a maioria dos homens relata uma atividade sexual normal.
Em geral, o sexo após uma reversão da vasectomia é semelhante ao sexo antes da vasectomia. No entanto, o tempo necessário para recuperar a fertilidade após a reversão da vasectomia pode variar. Algumas pessoas podem recuperar a fertilidade imediatamente após a cirurgia, enquanto outras podem levar meses.
Se a reversão da vasectomia for bem-sucedida, a produção de esperma normal deve retornar e a ejaculação deve ser semelhante à ejaculação anterior à vasectomia. Além disso, muitas pessoas têm sido capazes de engravidar após a reversão da vasectomia, o que indica que a fertilidade pode ser restaurada.
No entanto, a eficácia da reversão em restaurar a fertilidade pode variar de acordo com vários fatores e é importante conversar com o médico para entender as expectativas e possibilidades antes e após a reversão.
Tempo de recuperação após a reversão da vasectomia
Qual a taxa de satisfação dos homens após a reversão de vasectomia ser feita com sucesso?
A taxa de satisfação dos homens após a reversão da vasectomia bem-sucedida varia de acordo com o estudo e a população em questão. Em geral, os resultados são positivos e a maioria dos homens fica satisfeita com a recuperação da fertilidade após a reversão da vasectomia.
De acordo com um estudo publicado no Journal of Urology em 2011, a taxa de gravidez após a reversão da vasectomia é de cerca de 52%, com taxas mais altas em homens mais jovens e com menos tempo desde a vasectomia. Além disso, cerca de 80% dos homens relataram satisfação com a cirurgia e com a recuperação da fertilidade.
Outro estudo publicado no International Journal of Andrology em 2017 mostrou que a taxa de sucesso da reversão da vasectomia foi de 86,1%, com uma taxa de gravidez de 65,3% após a cirurgia. Os autores do estudo também relataram que a maioria dos homens ficou satisfeita com a cirurgia e com a recuperação da fertilidade.
No entanto, é importante lembrar que a reversão da vasectomia não é garantia de gravidez e que os resultados podem variar de acordo com cada caso. Além disso, a cirurgia pode ter riscos e complicações, como dor, sangramento e infecção. Por isso, é fundamental que o paciente converse com um médico especialista e avalie os riscos e benefícios antes de decidir pela reversão da vasectomia.
Autor

Dr. Tiago Mierzwa é urologista e andrologista em Curitiba, referência nacional em medicina sexual masculina, andrologia e cirurgias urológicas de alta complexidade. Sua atuação abrange o tratamento da disfunção erétil, implante de prótese peniana inflável e maleável, doença de Peyronie (curvatura peniana), varicocele, infertilidade masculina, vasectomia sem cortes, reversão de vasectomia microcirúrgica, postectomia com grampeador, engrossamento peniano com ácido hialurônico (Urofill), reabilitação sexual pós-câncer de próstata e reposição de testosterona.
Em 2025, tornou-se o 1º Centro de Excelência em Prótese Peniana Inflável Coloplast do Sul do Brasil e o 3º do país — certificação concedida a cirurgiões com alto volume cirúrgico, resultados clínicos consistentes e aderência a rigorosos padrões técnicos e científicos. Em 2024, recebeu o Prêmio Urofill Master Sculptor pela excelência na técnica de engrossamento peniano, sendo também Urofill Local Trainer, chancelado pelo Dr. Paul Perito, criador da técnica.
Graduado pela Faculdade Assis Gurgacz (FAG), realizou residência em Cirurgia Geral no Hospital Universitário do Oeste do Paraná e residência em Urologia no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba. Aprofundou sua formação em Andrologia no Projeto ALFA, em São Paulo, e realizou Observership em Medicina Sexual na Rush University, em Chicago (EUA), onde aprimorou técnicas minimamente invasivas para implante de prótese peniana e tratamento da disfunção erétil. É Mestre em Clínica Cirúrgica pela UFPR. Mantém atualização contínua com treinamentos em Londres, Istambul, Barcelona, Minneapolis, Miami, Las Vegas, Bogotá e São Paulo.
Coordena cursos de formação de urologistas em implante de prótese peniana inflável e atua como organizador de eventos científicos em andrologia no Brasil e no exterior.
É Chefe do Serviço de Andrologia do Hospital Universitário Cajuru (HUC/PUC-PR) e do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), além de Preceptor da Residência de Urologia nessas instituições. Atende em Curitiba nos hospitais Nossa Senhora das Graças, Vita Curitiba, Marcelino Champagnat, Santa Cruz (Rede D'Or) e Universitário Cajuru, e integra a equipe da Androlab — Clínica da Fertilidade.
Membro Professor do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e do Comitê de Relações Exteriores da SBU. Integra ainda a American Urological Association (AUA), Sociedade Europeia de Urologia (EAU), Society of Urologic Prosthetic Surgeons (SUPS), Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM), Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS), Confederación Americana de Urología (CAU) e Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.
CRM-PR 32299 | RQE 24845



