É possível recuperar os espermatozoides tendo azoospermia?

recuperar os espermatozoides

A infertilidade masculina é responsável por até 30% dos casos de infertilidade conjugal. Dentre os fatores masculinos, a azoospermia é uma das condições consideradas mais graves para a infertilidade, pois ela se caracteriza pela ausência de espermatozoides no esperma, líquido ejaculado durante a relação sexual. Para identificar a existência ou não de espermatozoides é necessário realizar o exame de espermograma.

O espermograma é o exame que avalia a quantidade e qualidade de espermatozoides presentes no sêmen. Dessa forma, uma amostra de esperma é coletada pelo homem no laboratório após o ato de masturbação. Para que os resultados não sofram interferências, é recomendado que o homem não mantenha relações sexuais 5 dias antes do exame.

Mas, afinal, é possível recuperar os espermatozoides em homens com azoospermia?

Existem dois tipos de azoospermia: a obstrutiva, onde há um bloqueio mecânico na passagem dos espermatozoides e, a azoospermia não-obstrutiva, onde os problemas estão relacionados à produção dos espermatozoides.

Os espermatozoides são formados nos testículos, entram na cabeça do epidídimo e progridem para a região da cauda, local onde amadurecem. Dessa forma, quando ocorre algum bloqueio no órgão sexual masculino, os espermatozoides acabam não sendo liberados no sêmen. Este bloqueio que há no transporte do esperma pode ocorrer em decorrência de traumatismos, vasectomia ou anormalidades no canal deferente e epidídimo.

A azoospermia não-obstrutiva se caracteriza pela falha na produção de espermatozoides, assim a produção pode não ocorrer ou ocorrer de forma tão pequena que não aparece no sêmen. Isso pode acontecer devido a alterações genéticas, torções, criptorquidia, radiação ou traumas relacionados a acidentes.

É preciso compreender essas características e comprovar por meio de exames a condição clínica do paciente, para então escolher o melhor tratamento para recuperar os espermatozoides.

Dr. Tiago

Mierzwa

– Mestre em Clínica Cirúrgica pela Universidade Federal do Paraná

– Coordenador dos Serviços de Andrologia do Hospital Nossa Senhora das Graças e Hospital Universitário Cajuru

– Membro Professor do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia

– Membro da Sociedade Brasileira de Urologia/ American Urological Association/ International Society for Sexual Medicine/ Sociedade LatinoAmericana de Medicina Sexual

– ABEMSS/ Confederación Americana de Urologia/ Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida

Formas de recuperar os espermatozoides

Existem técnicas microcirúrgicas para recuperar os espermatozoides, entretanto depende do tipo de azoospermia que o paciente possui. Quando a obstrução ocorre no epidídimo é possível extrair os espermatozoides através da MESA (microsurgical epididymal sperm aspiration – aspiração microcirúrgica do esperma epididimal) ou da PESA (percutaneous epididymal sperm aspiration – aspiração percutânea do esperma epididimal).

Essas aspirações são realizadas quando o paciente possui uma obstrução não tratável ou ele não deseja se submeter a um procedimento cirúrgico. Ambas as técnicas permitem a recuperação de muitos espermatozoides.

Outra forma de recuperar os espermatozoides é com as técnicas de extração testicular, a TESA (testicular sperm aspiration – aspiração do esperma testicular), a TESE (testicular sperm extraction – extração do esperma testicular) ou a Micro-TESE (Microsurgical testicular sperm extraction – extração microcirúrgica do esperma testicular). Essa extração ocorre nas ilhotas dos testículos, onde os espermatozoides ficam isolados.

Aplicam-se essas técnicas em casos de azoospermia não-obstrutiva, onde não há uma obstrução para a saída dos espermatozoides, mas sua produção é inexistente ou tão pequena que eles não saem junto com o sêmen. Conforme for a lesão testicular, assim também será a recuperação dos espermatozoides.

Outras formas de obter os espermatozoides

Nos casos de azoospermia por causa da ejaculação retrógrada (condição na qual a parte da bexiga que normalmente fecha durante a ejaculação permanece aberta, fazendo com que o sêmen vá para a bexiga), é possível preparar os espermatozoides que são recuperados na urina. Quando há ausência de ejaculação, é possível estimulá-la através do uso de eletrodos. Além disso, em casos onde não ocorre a espermatogênese (a formação dos espermatozoides), é possível optar por doação anônima de sêmen para fertilização in vitro.

Exames para comprovar a azoospermia

Como já mencionei acima, o exame de espermograma é essencial para avaliarmos a quantidade e a qualidade dos espermatozoides. Mas não é apenas este exame que vai determinar se o paciente possui ou não a azoospermia. Além da avaliação clínica e do espermograma, são necessários outros exames para analisar a saúde do homem como um todo.

Exames complementares:

  • Testosterona;
  • Prolactina;
  • LH, FSH;
  • Hormônios tireoidianos;
  • Andrógenos adrenais;
  • Exames genéticos e exames de imagem também auxiliam nos diagnósticos.

Outras doenças que podem causar infertilidade

Além da azoospermia, outras doenças podem causar infertilidade masculina. Elas podem ser: varicocele, criptorquidia, torção testicular, infecções no trato genital, orquite, câncer testicular, traumas nos testículos e outras doenças. Há também alguns fatores de risco para a infertilidade masculina. São eles: tabagismo, diabetes, alcoolismo, trabalhar exposto a condições que apresentem riscos, como o uso de pesticida ou em ambiente com calor excessivo.

A poluição, estilo de vida, uso frequente de saunas e banheiras também prejudica a produção de espermatozoides. Enfim, o mais importante é que, diante das dificuldades para engravidar, o casal busque auxílio médico. O trabalho do andrologista é ajudar o homem na sua saúde reprodutiva, por isso converse com seu médico. Durante a avaliação médica é importante que você esclareça todas as suas dúvidas. Não fique com vergonha de questionar o médico sobre as possibilidades reais da fertilidade.

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Autor

  • Dr. Tiago Mierzwa é urologista e andrologista em Curitiba, referência nacional em medicina sexual masculina, andrologia e cirurgias urológicas de alta complexidade. Sua atuação abrange o tratamento da disfunção erétil, implante de prótese peniana inflável e maleável, doença de Peyronie (curvatura peniana), varicocele, infertilidade masculina, vasectomia sem cortes, reversão de vasectomia microcirúrgica, postectomia com grampeador, engrossamento peniano com ácido hialurônico (Urofill), reabilitação sexual pós-câncer de próstata e reposição de testosterona.

    Em 2025, tornou-se o 1º Centro de Excelência em Prótese Peniana Inflável Coloplast do Sul do Brasil e o 3º do país — certificação concedida a cirurgiões com alto volume cirúrgico, resultados clínicos consistentes e aderência a rigorosos padrões técnicos e científicos. Em 2024, recebeu o Prêmio Urofill Master Sculptor pela excelência na técnica de engrossamento peniano, sendo também Urofill Local Trainer, chancelado pelo Dr. Paul Perito, criador da técnica.

    Graduado pela Faculdade Assis Gurgacz (FAG), realizou residência em Cirurgia Geral no Hospital Universitário do Oeste do Paraná e residência em Urologia no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba. Aprofundou sua formação em Andrologia no Projeto ALFA, em São Paulo, e realizou Observership em Medicina Sexual na Rush University, em Chicago (EUA), onde aprimorou técnicas minimamente invasivas para implante de prótese peniana e tratamento da disfunção erétil. É Mestre em Clínica Cirúrgica pela UFPR. Mantém atualização contínua com treinamentos em Londres, Istambul, Barcelona, Minneapolis, Miami, Las Vegas, Bogotá e São Paulo.

    Coordena cursos de formação de urologistas em implante de prótese peniana inflável e atua como organizador de eventos científicos em andrologia no Brasil e no exterior.

    É Chefe do Serviço de Andrologia do Hospital Universitário Cajuru (HUC/PUC-PR) e do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), além de Preceptor da Residência de Urologia nessas instituições. Atende em Curitiba nos hospitais Nossa Senhora das Graças, Vita Curitiba, Marcelino Champagnat, Santa Cruz (Rede D'Or) e Universitário Cajuru, e integra a equipe da Androlab — Clínica da Fertilidade.

    Membro Professor do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e do Comitê de Relações Exteriores da SBU. Integra ainda a American Urological Association (AUA), Sociedade Europeia de Urologia (EAU), Society of Urologic Prosthetic Surgeons (SUPS), Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM), Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS), Confederación Americana de Urología (CAU) e Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.

    CRM-PR 32299 | RQE 24845

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