Reversão de vasectomia: há tempo ideal para fazer?

Reversão de vasectomia

A vasectomia envolve a interrupção ou oclusão de cada canal deferente e é normalmente realizado em um ambiente ambulatorial sob anestesia local. Revisando um pouco a anatomia, esse canal deferente liga o testículo (local produtor dos espermatozoides) ao pênis, mantendo, assim, a fertilidade. Nos pacientes submetidos à intervenção, esse trajeto fica impossibilitado.

O que gera muitas dúvidas dos pacientes é se esse procedimento é reversível ou não. A resposta é que é sim! Comparando à própria vasectomia, a sua reversão é muito mais trabalhosa e requer todos os cuidados do médico que irá realizar essa intervenção, a fim de manter as funções sexuais preservadas e alcançar o real objetivo desse processo que é chance de poder ter filhos novamente.

Existe tempo ideal para a reversão?

Embora o procedimento deva ser realizado apenas para pacientes que desejam esterilidade permanente, as decisões relativas à fertilidade podem mudar ao longo dos anos reprodutivos. A vasectomia pode ser revertida com técnicas microcirúrgicas que envolvem a reanastomose (vasovasostomia) dos canais deferentes, idealmente no local da ligadura anterior. A reversão bem-sucedida foi relatada em 50 a 70% dos homens de estudos pretéritos. Importante lembrar que as taxas de sucesso diminuem com o aumento do tempo entre a vasectomia e a reversão.

Quem opta pela reversão?

Vários estudos examinaram a relação entre as características do paciente e a probabilidade de uma futura solicitação de reversão da vasectomia. O fator preditivo mais forte para uma reversão do procedimento é uma mudança no estado civil. Homens sem filhos e homens com mais de 30 anos na época da cirurgia eram menos propensos a solicitar uma reversão no futuro.

Sucesso da operação

Os principais determinantes do sucesso e da permeabilidade da reversão são o método de vasectomia e a duração da obstrução. Um esforço foi feito para prevenir danos irreversíveis no momento da operação. Isso levou ao desenvolvimento da vasectomia aberta. O espermatozoide vazado causa uma resposta imunológica que pode resultar em um granuloma de esperma, mas reduz o risco de dano tubular concomitante.

Selar o lado testicular da extremidade cortada do canal pode resultar em dano epididimal e diminuição do sucesso da reversão da vasectomia. O aparecimento de espermatozoides após reanastomose para reversão, costuma ter 90% de êxito e resulta em gravidez em mais de 50% dos casos.

Critérios do paciente para reversão

Embora a reversão da vasectomia seja tecnicamente viável na maioria homens, suas indicações e sucesso final dependem de ambos fatores de fertilidade masculina e feminina. A idade e fertilidade do parceiro feminino deve ser considerado com cuidado nas discussões sobre o prognóstico para alcançar uma gravidez bem-sucedida após a reversão da vasectomia.

O exame físico pode revelar que grandes segmentos do vasos deferentes foram removidos e ajudam a identificar aqueles em quem a incisão padrão pode precisar ser modificada. Exame também pode revelar anormalidades testiculares ou endurecimento epididimal. Um modelo preditivo baseado em idade e tempo uma vez que a vasectomia pode ser útil para identificar mais os homens provavelmente necessitará de vasoepididimostomia.

Autor

  • Dr. Tiago Mierzwa é urologista e andrologista em Curitiba, referência nacional em medicina sexual masculina, andrologia e cirurgias urológicas de alta complexidade. Sua atuação abrange o tratamento da disfunção erétil, implante de prótese peniana inflável e maleável, doença de Peyronie (curvatura peniana), varicocele, infertilidade masculina, vasectomia sem cortes, reversão de vasectomia microcirúrgica, postectomia com grampeador, engrossamento peniano com ácido hialurônico (Urofill), reabilitação sexual pós-câncer de próstata e reposição de testosterona.

    Em 2025, tornou-se o 1º Centro de Excelência em Prótese Peniana Inflável Coloplast do Sul do Brasil e o 3º do país — certificação concedida a cirurgiões com alto volume cirúrgico, resultados clínicos consistentes e aderência a rigorosos padrões técnicos e científicos. Em 2024, recebeu o Prêmio Urofill Master Sculptor pela excelência na técnica de engrossamento peniano, sendo também Urofill Local Trainer, chancelado pelo Dr. Paul Perito, criador da técnica.

    Graduado pela Faculdade Assis Gurgacz (FAG), realizou residência em Cirurgia Geral no Hospital Universitário do Oeste do Paraná e residência em Urologia no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba. Aprofundou sua formação em Andrologia no Projeto ALFA, em São Paulo, e realizou Observership em Medicina Sexual na Rush University, em Chicago (EUA), onde aprimorou técnicas minimamente invasivas para implante de prótese peniana e tratamento da disfunção erétil. É Mestre em Clínica Cirúrgica pela UFPR. Mantém atualização contínua com treinamentos em Londres, Istambul, Barcelona, Minneapolis, Miami, Las Vegas, Bogotá e São Paulo.

    Coordena cursos de formação de urologistas em implante de prótese peniana inflável e atua como organizador de eventos científicos em andrologia no Brasil e no exterior.

    É Chefe do Serviço de Andrologia do Hospital Universitário Cajuru (HUC/PUC-PR) e do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), além de Preceptor da Residência de Urologia nessas instituições. Atende em Curitiba nos hospitais Nossa Senhora das Graças, Vita Curitiba, Marcelino Champagnat, Santa Cruz (Rede D'Or) e Universitário Cajuru, e integra a equipe da Androlab — Clínica da Fertilidade.

    Membro Professor do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e do Comitê de Relações Exteriores da SBU. Integra ainda a American Urological Association (AUA), Sociedade Europeia de Urologia (EAU), Society of Urologic Prosthetic Surgeons (SUPS), Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM), Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS), Confederación Americana de Urología (CAU) e Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.

    CRM-PR 32299 | RQE 24845

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