O que fazer quando a Tadalafila não funciona?

O que fazer quando a Tadalafila não funciona? Essa é uma das perguntas que mais escuto no meu consultório. O paciente chega frustrado, às vezes envergonhado, dizendo que tomou a tadalafila e não funcionou.

A tadalafila é um dos medicamentos mais eficazes disponíveis para o tratamento da disfunção erétil. Ela pertence à classe dos inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), age relaxando a musculatura dos vasos sanguíneos do pênis e facilita o aumento do fluxo sanguíneo nos corpos cavernosos durante a excitação sexual.

Mas o fato de ser eficaz não significa que ela funciona para todos da mesma forma, em todas as situações, sem nenhuma variável envolvida.

Então, quando o medicamento não funciona como esperado, isso é um sinal de que algo precisa ser avaliado com mais cuidado. Não é hora de aumentar a dose por conta própria, nem de desistir do tratamento.

Ao longo deste artigo, vou explicar as razões mais comuns pelas quais a tadalafila pode não funcionar e quais são as alternativas disponíveis, incluindo as opções mais avançadas, como a prótese peniana, para os casos em que os tratamentos convencionais não trazem o resultado esperado.

Agende sua consulta com o Dr. Tiago Mierzwa, Urologista e Andrologista referência no tratamento da Disfunção Erétil em Curitiba. 

Quando a Tadalafila não funciona, insistir sem avaliação médica pode prolongar o problema. O caminho mais seguro é buscar orientação especializada para entender as causas e encontrar soluções eficazes.

Nesse cenário, o Dr. Tiago Mierzwa, Urologista e Andrologista, referência em Curitiba, conduz cada caso de forma personalizada e segura. Agende sua consulta e dê o próximo passo para cuidar da sua saúde.

Dr. Tiago

Mierzwa

– Mestre em Clínica Cirúrgica pela Universidade Federal do Paraná

– Coordenador dos Serviços de Andrologia do Hospital Nossa Senhora das Graças e Hospital Universitário Cajuru

– Membro Professor do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia

– Membro da Sociedade Brasileira de Urologia/ American Urological Association/ International Society for Sexual Medicine/ Sociedade LatinoAmericana de Medicina Sexual

– ABEMSS/ Confederación Americana de Urologia/ Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida

Como a tadalafila age no organismo?

Antes de falar sobre o que fazer quando ela não funciona, é importante entender como ela age. A tadalafila não provoca ereção sozinha. Ela é um facilitador, melhora as condições do organismo para que a ereção aconteça, mas ela depende de estímulo sexual para ter efeito.

O mecanismo é o seguinte:

Durante a excitação sexual, o organismo libera óxido nítrico, que ativa uma cascata de reações que culmina no relaxamento da musculatura lisa dos corpos cavernosos.

Então, esse relaxamento permite que o sangue entre em grande quantidade no pênis, gerando a rigidez.

Dessa forma, a tadalafila age bloqueando a enzima PDE5, que normalmente interrompe esse processo, prolongando e facilitando esse efeito vasodilatador.

Por isso, se o paciente toma o medicamento sem estar em um ambiente de excitação, sem estímulo adequado, sem o mínimo de relaxamento emocional, o medicamento não vai fazer efeito. Isso não é falha do remédio. É o funcionamento normal dele.

Além disso, a tadalafila tem um tempo de ação que precisa ser respeitado. Na dose sob demanda, o ideal é aguardar pelo menos 30 minutos após a ingestão antes de iniciar a relação sexual. Esse detalhe, aparentemente simples, é responsável por boa parte dos casos em que o paciente relata que o medicamento “não funcionou”.

Por que a tadalafila pode não funcionar?

Essa é a pergunta central. E a resposta raramente é simples. Ao avaliar um paciente no consultório que relata falha com a tadalafila, eu sempre investigo um conjunto de fatores antes de concluir qualquer coisa. Veja os principais:

O uso está sendo feito de forma correta?

Na minha experiência, o uso inadequado é uma das causas mais frequentes de insucesso com a tadalafila. Isso inclui tomar o medicamento e tentar ter relação sexual antes de ele fazer efeito, tomar em horários errados, ingerir junto com refeições muito gordurosas que retardam a absorção, ou consumir álcool em quantidade, o que compromete tanto a absorção quanto a resposta erétil.

O álcool merece atenção especial. Além de interferir na absorção do medicamento, ele está associado ao aumento dos níveis de estrogênio no organismo, o que desequilibra a relação hormonal e prejudica a função erétil diretamente. Um copo de vinho pode até ter efeito relaxante, mas o consumo excessivo vai trabalhar contra a ereção, independentemente do medicamento que o paciente esteja usando.

Existe alguma doença de base comprometendo a resposta?

Esse é um ponto que muitos pacientes não consideram. A disfunção erétil raramente aparece sozinha. Ela quase sempre está acompanhada de alguma condição clínica subjacente que precisa ser tratada.

As doenças que mais frequentemente reduzem a resposta à tadalafila são o diabetes mellitus, a hipertensão arterial, a dislipidemia (colesterol e triglicérides elevados) e as alterações hormonais, especialmente a redução dos níveis de testosterona. O tabagismo também compromete diretamente a função vascular do pênis e, consequentemente, a resposta ao medicamento.

O paciente diabético, em particular, tem três vezes mais chance de desenvolver disfunção erétil quando comparado à população em geral. E quando a disfunção erétil se instala no diabético, ela tende a responder menos aos medicamentos orais.

Quando o paciente controla mal o diabetes, tem hipertensão descompensada ou colesterol elevado sem tratamento adequado, o medicamento simplesmente não consegue compensar o dano vascular que essas doenças causam. Por isso, tratar a causa é tão ou mais importante do que tratar o sintoma.

Os fatores psicológicos estão sendo levados em conta?

Esse é um fator que subestimamos frequentemente. A ansiedade de desempenho é capaz de bloquear completamente o efeito da tadalafila, mesmo quando o organismo do paciente responde bem ao medicamento em condições normais.

Para que a ereção aconteça, é necessário que o paciente esteja relaxado. Não existe relaxamento dos corpos cavernosos sem relaxamento mental. O sistema nervoso autônomo simpático, ativado pela ansiedade, compete diretamente com o mecanismo de ereção. Em outras palavras: quanto mais ansioso o paciente está em relação ao desempenho sexual, menor é a chance de a tadalafila funcionar.

Eu vejo muito isso no consultório, o paciente toma o medicamento, fica esperando o efeito com ansiedade, monitora cada sensação, se preocupa se vai funcionar desta vez, e aí o ciclo se retroalimenta. Assim, a preocupação excessiva com o resultado é exatamente o que o impede de acontecer.

Nesses casos, a abordagem precisa incluir acompanhamento psicológico ou com sexólogo, em paralelo ao tratamento medicamentoso.

O consumo de pornografia está criando expectativas irreais?

Esse é um tema que tenho abordado cada vez mais com os meus pacientes, especialmente os mais jovens. O consumo aumentado de pornografia nas últimas décadas criou uma visão distorcida do que é uma relação sexual e do que se espera de um desempenho masculino. Isso gera ansiedade de performance, que é um dos principais fatores que comprometem a resposta ao medicamento.

Quando as expectativas estão desalinhadas com a realidade, a frustração é inevitável. E a frustração, por sua vez, alimenta a ansiedade. É um ciclo que precisa ser interrompido com informação e, muitas vezes, com apoio especializado.

O que fazer quando a tadalafila não funciona?

Agora que entendemos os principais motivos de falha, vou explicar o caminho que eu percorro junto com o paciente para encontrar a melhor solução.

Vale revisar a forma de uso antes de qualquer conclusão?

Sim. A primeira coisa que faço é uma revisão detalhada de como o paciente está usando o medicamento. Quando o tempo de espera foi respeitado? Havia estímulo sexual? O álcool estava envolvido? Houve refeição pesada antes?

Em boa parte dos casos, apenas ajustar esses fatores já muda o resultado de forma significativa. Consequentemente, não é necessário mudar o medicamento, nem aumentar a dose, basta usar o que já está prescrito da forma correta.

Quando é necessário ajustar a dose ou mudar o medicamento?

Quando o uso correto já está sendo feito e ainda assim a resposta é insatisfatória, aí avaliamos a dose. A tadalafila pode ser usada em doses de 5 mg de forma contínua (uma vez ao dia) ou em doses maiores, de 10 ou 20 mg, sob demanda. A dose contínua de 5 mg tem a vantagem de manter níveis estáveis no organismo, o que pode ser mais adequado para alguns perfis de pacientes.

Além disso, existem outros medicamentos da mesma classe, a sildenafila (o Viagra), a vardenafila, a avanafila, e cada um tem um perfil farmacocinético diferente. Alguns pacientes respondem melhor a um do que a outro. Isso é uma decisão que o urologista precisa tomar com base na avaliação individual, não algo que o paciente deve testar sozinho em casa.

Quando as mudanças de hábito fazem diferença real?

Sempre. Independentemente da causa da disfunção erétil, as mudanças de hábito de vida fazem diferença. Exercício físico regular, como musculação e exercícios de força, está associado à melhora dos níveis de testosterona e à melhora da função vascular. Uma alimentação equilibrada, rica em vegetais, frutas, fontes de ômega-3 e zinco, contribui para o equilíbrio hormonal. O controle do estresse e a melhora da qualidade do sono também têm impacto direto na produção de testosterona e na função erétil.

Cessar o tabagismo e reduzir o consumo de álcool são medidas que, quando adotadas, muitas vezes melhoram a resposta ao medicamento de forma bastante expressiva. Eu costumo dizer aos meus pacientes que essas mudanças não são um complemento ao tratamento — elas são parte central dele.

Quando o urologista indica as terapias de segunda linha?

Quando o medicamento oral não traz resultado satisfatório, mesmo com uso correto e controle das doenças associadas, passamos para o que chamamos de tratamento de segunda linha: as injeções intracavernosas.

Essa modalidade consiste na aplicação de um medicamento diretamente no corpo cavernoso do pênis. O efeito é altamente efetivo, começa em cerca de 10 a 15 minutos e garante rigidez suficiente para a relação sexual, independentemente do grau de disfunção erétil.

Sei que muitos pacientes ficam apreensivos quando mencionamos “injeção no pênis”. Mas a agulha utilizada é extremamente fina, equivalente às agulhas de insulina e a maioria dos pacientes relata que o procedimento é praticamente indolor. O medicamento pode ser aplicado com seringa convencional ou com uma caneta aplicadora, o que facilita bastante o uso domiciliar após o treinamento no consultório.

Essa é uma opção muito eficaz, especialmente para pacientes com disfunção erétil moderada a grave, para diabéticos e para aqueles que têm contraindicação ou intolerância aos medicamentos orais.

Quando a prótese peniana é a melhor opção?

Essa é a pergunta que muitos pacientes chegam ao consultório querendo responder, mas ainda com muitas dúvidas. Vou ser direto e claro sobre isso.

A prótese peniana é o tratamento de terceira linha para disfunção erétil. Ela é indicada para pacientes que não responderam aos medicamentos orais, que não tiveram resultado satisfatório com as injeções intracavernosas, ou que desejam uma solução definitiva para a disfunção erétil, em especial aqueles com quadros mais avançados e irreversíveis.

Quais são os tipos de prótese peniana disponíveis?

Existem dois modelos principais disponíveis no mercado: a prótese peniana semirrígida e a prótese peniana inflável.

A prótese semirrígida consiste em dois cilindros implantados dentro dos corpos cavernosos, com um núcleo interno, geralmente de metal ou nitinol, que confere rigidez axial ao pênis. O paciente pode direcionar o pênis para baixo quando não está em atividade sexual e posicioná-lo para cima quando deseja ter relação. É um dispositivo simples, durável e com excelente custo-benefício.

A prótese inflável  possui três componentes: dois cilindros implantados nos corpos cavernosos, uma bomba colocada dentro da bolsa escrotal e um reservatório posicionado próximo à bexiga.

Quando o paciente deseja ter relação sexual, ele aciona a bomba, que transfere o soro do reservatório para os cilindros, deixando o pênis rígido. Quando não deseja, ele aciona o botão de esvaziamento e o pênis volta ao estado flácido. Esse modelo oferece um resultado mais próximo da ereção natural, tanto em aparência quanto em funcionalidade.

A escolha entre os modelos é feita em conjunto entre o médico e o paciente, levando em conta o perfil clínico, as preferências, a destreza manual do paciente e outros fatores individuais. Durante o procedimento, o médico define o tamanho da prótese a partir da medição do corpo cavernoso de cada paciente.

Como é a cirurgia de implante de prótese peniana?

É uma cirurgia minimamente invasiva, com duração de aproximadamente 40 minutos a uma hora. Na maioria dos casos, o paciente recebe alta no mesmo dia ou no dia seguinte. O procedimento é realizado sob anestesia e os índices de satisfação são altos, superiores a 90% quando a indicação é bem feita e o paciente está bem informado sobre o que esperar.

Antes de indicar a prótese, eu sempre faço uma conversa detalhada com o paciente sobre os riscos, os benefícios, o período de recuperação, como vai ser o retorno às atividades físicas e sexuais e como o dia a dia vai ser com a prótese. Nenhum paciente deve ir para o procedimento sem entender completamente o que está fazendo e o que vai encontrar depois.

A prótese peniana é segura para pacientes diabéticos?

Sim, é. Mas com uma ressalva importante: no paciente diabético, o controle da glicemia precisa estar muito bem ajustado antes do procedimento. O diabetes eleva o risco de infecção no pós-operatório. Por isso, quando o paciente não está com o diabetes compensado, eu oriento que primeiro melhore o controle metabólico, use outro tratamento provisoriamente, e depois avaliamos o momento adequado para o implante. Com os cuidados corretos, os resultados são excelentes.

Por que buscar um especialista faz toda a diferença?

Porque disfunção erétil não é apenas uma questão de desempenho sexual, mas pode ser o primeiro sinal de uma doença cardiovascular em desenvolvimento, de alterações hormonais importantes ou de problemas metabólicos que ainda não foram diagnosticados.

Os fatores de risco para disfunção erétil e para doenças cardiovasculares são, em grande parte, os mesmos: diabetes, hipertensão, dislipidemia, tabagismo, sedentarismo.

Quando o paciente chega ao consultório dizendo que a tadalafila não funcionou, o que ele está trazendo não é apenas uma queixa sexual.

Aumentar a dose por conta própria, combinar medicamentos sem orientação ou simplesmente desistir do tratamento são atitudes que podem ser prejudiciais e que, certamente, vão adiar a resolução do problema.

O caminho correto é buscar avaliação especializada, fazer os exames necessários, que podem incluir dosagem hormonal, avaliação metabólica e, em alguns casos, exames de imagem como o Doppler peniano, e estabelecer um tratamento personalizado, que considere toda a história clínica do paciente.

Qual é o impacto do tratamento adequado na qualidade de vida?

Quando o paciente finalmente encontra o tratamento certo para o seu caso, seja ele ajuste de medicação, injeção intracavernosa ou prótese peniana, a mudança vai muito além da função erétil.

A autoestima melhora. O relacionamento melhora. A disposição para atividades do dia a dia melhora. O paciente volta a ter confiança, deixa de evitar situações de intimidade, retoma a vida social sem a insegurança constante. Isso tem um impacto direto e positivo na saúde mental, na qualidade do sono e na saúde cardiovascular.

Não é exagerado dizer que tratar a disfunção erétil adequadamente transforma a qualidade de vida do homem.


Referências

  1. Hatzimouratidis K, et al. EAU Guidelines on Male Sexual Dysfunction: Erectile Dysfunction and Premature Ejaculation. European Association of Urology, 2023. Disponível em: https://uroweb.org/guidelines/sexual-and-reproductive-health
  2. Lue TF. Erectile Dysfunction. New England Journal of Medicine. 2000;342(24):1802–1813. doi:10.1056/NEJM200006153422407
  3. Mulhall JP, et al. Sexual Health Problems in Men with Diabetes: Evaluation and Management. Journal of Sexual Medicine. 2018;15(5):597–606. doi:10.1016/j.jsxm.2018.02.009

Este artigo tem caráter informativo e educativo. As informações aqui apresentadas não substituem a consulta médica individualizada. Para diagnóstico e tratamento adequados, procure sempre um profissional de saúde habilitado.

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