A vasectomia ainda carrega muitos mitos. E, muitas vezes, eles ainda são o principal obstáculo para que homens que já decidiram não ter mais filhos tomem uma decisão segura e informada.
Por isso, decidi reunir neste artigo as dúvidas mais frequentes que recebo no consultório e respondê-las com clareza, baseando-me em evidências científicas e na minha experiência clínica.
Se você está pesquisando sobre vasectomia e tem interesse em saber mais sobre esse procedimento, leia com atenção
Dr. Tiago Mierzwa, Urologista e Andrologista referência na cirurgia de Vasectomia em Curitiba.
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O que é a vasectomia e para quem ela é indicada?
A vasectomia é um procedimento cirúrgico de esterilização masculina, ou seja, uma forma de anticoncepção para homens que já decidiram não ter mais filhos.
É o equivalente masculino da ligadura tubária, porém tecnicamente mais simples, mais seguro e com recuperação mais rápida.
De acordo com a legislação brasileira, o procedimento pode ser realizado em homens a partir de 21 anos ou com pelo menos dois filhos vivos, desde que a decisão tenha sido tomada há mais de 60 dias. Esse período de reflexão exigido por lei existe justamente para garantir que a escolha seja madura e consciente.
O que eu explico para todos os meus pacientes é que a vasectomia é considerada um método permanente de contracepção. Embora exista a possibilidade de reversão, o procedimento deve ser encarado como definitivo no momento da decisão.
O sêmen contém apenas espermatozoides?
Este é um dos mitos mais comuns que escuto. Muitos homens acreditam que o líquido ejaculado é composto exclusivamente por espermatozoides, mas isso está longe de ser verdade.
Uma combinação de diferentes componentes formam o sêmen:
Os espermatozoides, produzidos nos testículos; o fluido seminal, produzido pelas vesículas seminais; o fluido prostático, secretado pela próstata; e o muco uretral, proveniente das glândulas bulbouretrais.
Na verdade, os espermatozoides representam uma fração muito pequena do volume total do sêmen, menos de 5%.
Entender isso é fundamental para compreender por que a vasectomia não interfere no volume ou na aparência da ejaculação. Quando interrompemos a passagem dos espermatozoides pelo ducto deferente, o restante dos componentes do sêmen continua sendo produzido e ejaculado normalmente.
Após a vasectomia, o paciente para de ejacular?
Não. Este é, sem dúvida, um dos mitos mais prejudiciais que existem em torno da vasectomia e um dos que mais gera resistência desnecessária ao procedimento.
Após a vasectomia, o paciente continua ejaculando normalmente. O volume, a consistência e a aparência do líquido ejaculado permanecem praticamente iguais ao que eram antes. A única diferença é que o sêmen não conterá mais espermatozoides.
O que a vasectomia faz, tecnicamente, é interromper o trajeto dos espermatozoides pelo ducto deferente, que é o canal responsável por transportar os espermatozoides do testículo até a uretra. Com essa comunicação interrompida, o espermatozoide não chega mais ao ejaculado. Simples assim.
Portanto, mesmo com ejaculação dentro da vagina, não haverá possibilidade de gravidez após a confirmação da ausência de espermatozoides, o que fazemos por meio de um exame chamado espermograma, cerca de 2 a 3 meses após o procedimento.
A vasectomia altera o orgasmo?
Não altera. Nem a sensibilidade, nem a intensidade, nem a qualidade do orgasmo são afetadas pela vasectomia.
Explico: o orgasmo masculino é um fenômeno neuromuscular complexo que envolve o sistema nervoso, a musculatura pélvica e os órgãos reprodutivos, mas ele não depende da presença de espermatozoides no ejaculado. A vasectomia atua apenas no ducto deferente, sem qualquer interferência nos nervos responsáveis pelo prazer ou na musculatura envolvida no orgasmo.
Muitos pacientes chegam ao consultório com medo de “perder o prazer” após a vasectomia. Posso afirmar com segurança: isso não acontece. O que pode haver, em alguns casos, é uma melhora na experiência sexual, já que o homem passa a ter relações sem a preocupação com uma gravidez indesejada.
A vasectomia afeta a ereção ou diminui a libido?
Não. A vasectomia não interfere na produção de testosterona, não compromete a libido e não dificulta a ereção.
A ereção é um processo vascular e neurológico que depende do fluxo sanguíneo para o pênis e da ativação adequada dos nervos eréteis. A vasectomia não toca em nenhuma dessas estruturas. O ducto deferente é um canal e apenas ele é manipulado durante o procedimento.
A testosterona, principal hormônio sexual masculino, continua sendo produzida normalmente pelos testículos após a vasectomia. Isso significa que o desejo sexual, a disposição e o desempenho erétil permanecem inalterados.
Como funciona a vasectomia sem cortes?
A vasectomia sem bisturi e sem agulha, popularmente conhecida como vasectomia sem cortes.
Nessa abordagem, utilizamos um dispositivo chamado Mad Jet, que realiza a anestesia local por meio de um jato de alta pressão, eliminando a necessidade de agulhas. Isso reduz significativamente o desconforto associado à anestesia, que costuma ser o momento mais temido pelos pacientes.
Em vez de realizar dois cortes na pele com bisturi, como na técnica convencional, utilizamos uma pinça delicada para criar um pequeno orifício de aproximadamente 3 a 4 mm no meio da bolsa escrotal. Por esse único orifício, acessamos o ducto deferente de ambos os lados, realizamos a secção do canal, cauterizamos as extremidades e aplicamos clipes de titânio para garantir que não haja reconexão espontânea.
O procedimento todo dura em torno de 10 minutos e não requer internação. Como não há corte de pele, não há necessidade de pontos cirúrgicos. O pequeno orifício fecha-se espontaneamente em aproximadamente uma semana.
A maioria dos meus pacientes consegue retornar ao trabalho no mesmo dia ou no dia seguinte, desde que a atividade profissional não exija esforço físico intenso. Recomendo evitar esforços durante os primeiros 7 a 10 dias e uso de gelo local nas primeiras horas para conforto.
Após a vasectomia ainda preciso me preocupar com gravidez?
Sim, este é um ponto extremamente importante que oriento todos os meus pacientes.
Nos primeiros 2 a 3 meses após a vasectomia, é necessário manter outros métodos contraceptivos. Isso acontece porque espermatozoides ainda podem estar presentes nos ductos deferentes e nas vesículas seminais após o procedimento e eles continuam viáveis por um período.
Somente após a realização de um espermograma que confirme a ausência completa de espermatozoides no ejaculado é que o paciente está liberado para ter relações sexuais sem outros métodos contraceptivos.
Não pule essa etapa. O espermograma pós-vasectomia é parte essencial do protocolo e garante a segurança e a eficácia do procedimento.
É possível reverter a vasectomia?
Sim, a reversão da vasectomia é possível. Porém, é fundamental que o homem encare a vasectomia como um método definitivo no momento da decisão, a reversão não deve ser planejada como um “plano B”.
Quando a reversão é necessária, ela é realizada por meio de uma microcirurgia, na qual reconectamos as extremidades do ducto deferente com fios extremamente finos, sob visualização microscópica. É um procedimento muito mais delicado e complexo do que a vasectomia em si, com duração de 2 a 3 horas, e que exige habilidade específica em microcirurgia.
O tempo entre a vasectomia e a reversão é um fator importante, quanto antes o paciente busca a reversão, melhores são os resultados. Nos primeiros 3 anos após a vasectomia, a taxa de patência (ou seja, a presença de espermatozoides no ejaculado após a reversão) supera 95%, e a taxa de gravidez se aproxima de 75%. Mesmo após 15 anos, ainda obtemos boas taxas de sucesso, embora menores.
É importante ressaltar que a avaliação para reversão de vasectomia não deve considerar apenas o tempo transcorrido, mas também a idade da parceira, fatores de fertilidade de ambos os lados do casal e outras condições clínicas. Em alguns casos, a fertilização in vitro com captação de espermatozoides pode ser uma alternativa mais adequada do que a reversão cirúrgica e essa decisão deve ser tomada em conjunto, pelo casal e pelo médico especialista.
Qual é a recuperação após a vasectomia sem cortes?
A recuperação da vasectomia sem cortes é bastante confortável em comparação com a técnica convencional.
Nas primeiras horas após o procedimento, recomendo o uso de compressas de gelo na região e repouso. Caso haja desconforto, analgésicos comuns são suficientes. Como não há pontos cirúrgicos, o cuidado com o orifício é mínimo, apenas um curativo simples por 24 horas.
Na primeira semana, o paciente deve evitar esforços físicos, atividades que gerem pressão na região e relações sexuais. A maioria retorna ao trabalho de escritório no mesmo dia ou no dia seguinte.
Após 30 dias, o paciente pode retornar gradualmente às atividades físicas e à vida sexual normal. E entre 2 e 3 meses, realizamos o espermograma para confirmar a eficácia do procedimento.
Por que escolher um especialista em vasectomia sem cortes em Curitiba?
A vasectomia sem cortes exige técnica refinada e experiência com o dispositivo de anestesia sem agulha e com o acesso minimamente invasivo por orifício único.
Não é qualquer urologista que domina essa abordagem.
Se você está considerando a vasectomia, te convido a agendar uma consulta para que possamos conversar com calma e avaliar o seu caso de forma individualizada.
Dr. Tiago Mierzwa, Urologista e Andrologista
CRM-PR 32299 – RQE 24845
Endereço do Consultório: Urocentro | Rua Portugal 307, São Francisco, Curitiba – PR
Referências
- Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Vasectomia: orientações ao paciente. Disponível em:
- World Health Organization (WHO). Male voluntary surgical contraception. In: Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use, 5th ed. Geneva: WHO, 2015. Disponível em:
- Sharlip ID, Belker AM, Honig S, et al. Vasectomy: AUA Guideline. Journal of Urology. 2012;188(6 Suppl):2482-2491. Disponível em:
As informações contidas neste artigo têm caráter exclusivamente educativo e informativo, não substituindo a consulta médica individualizada. Para avaliação e indicação do procedimento mais adequado ao seu caso, procure um médico urologista.



