- A pergunta sobre se a infecção após colocar a prótese peniana pode acontecer é, sem dúvida, uma das dúvidas mais frequentes entre homens que consideram esse tratamento. E a resposta curta é: sim, pode acontecer, mas a probabilidade é muito baixa. Na verdade, estudos publicados em revistas científicas internacionais mostram que a taxa de infecção em implantes primários varia entre 1% e 3%. Mais do que isso, com técnicas modernas e dispositivos revestidos com antibióticos, essa taxa cai para menos de 1% em centros especializados.
O medo de complicações pós-operatórias paralisa a decisão de muitos pacientes que já esgotaram outros tratamentos para disfunção erétil. Esse receio é compreensível, porém precisa ser colocado em perspectiva. Por isso, ao longo deste artigo, vamos explicar por que essa taxa é tão baixa, quais fatores aumentam o risco, como o cirurgião trabalha para minimizar essa possibilidade e, sobretudo, quais sinais merecem atenção no pós-operatório.
O que dizem os estudos sobre infecção em prótese peniana?
A literatura médica acumulou décadas de dados sobre o tema. De modo geral, uma revisão sistemática e meta-análise publicada no Journal of Urology, que analisou mais de 9.900 pacientes, demonstrou que o uso de próteses com revestimento antibiótico reduziu a incidência de infecção em aproximadamente 50% quando comparado a dispositivos sem revestimento. Da mesma forma, outra revisão publicada no PMC/National Library of Medicine em 2024 confirmou que a taxa de infecção em implantes de primeiro procedimento fica entre 1% e 3%. Ainda segundo esse estudo, cirurgiões experientes utilizando a técnica “no-touch” combinada com próteses revestidas conseguem taxas de infecção de até 0,46%.
Para colocar em contexto: qualquer procedimento cirúrgico com implante de material no corpo humano carrega algum risco de infecção. Entretanto, a cirurgia de prótese peniana, nesse quesito, apresenta taxas comparáveis ou até inferiores a diversos outros implantes ortopédicos e cardiovasculares.
Por que a infecção após colocar a prótese peniana é tão rara?
Existem pelo menos três razões principais que explicam por que a infecção após colocar a prótese peniana se tornou um evento pouco frequente na urologia moderna. Veja a seguir cada uma delas.
Em primeiro lugar, os próprios dispositivos evoluíram. Os fabricantes desenvolveram revestimentos antibióticos que atuam nas primeiras horas e dias após o implante, ou seja, justamente o período mais crítico para colonização bacteriana. A prótese da Boston Scientific (AMS), por exemplo, utiliza o revestimento InhibiZone com minocycline e rifampicina. Já a Coloplast desenvolveu o revestimento hidrofílico que absorve a solução antibiótica escolhida pelo cirurgião. Como resultado, os dois sistemas comprovaram redução significativa nas taxas de infecção.
Em segundo lugar, as técnicas cirúrgicas também avançaram. A técnica “no-touch”, descrita pelo Dr. Eid em 2012, consiste em inserir a prótese através de uma pequena abertura no campo cirúrgico sem contato direto com a pele do paciente. Esse protocolo, combinado com troca de luvas, minimização de pessoal na sala e imersão do dispositivo em solução antibiótica, trouxe uma queda expressiva nos índices de infecção.
Em terceiro lugar, a antibioticoprofilaxia perioperatória desempenha papel central. O uso de antibióticos intravenosos antes e durante a cirurgia cria uma barreira farmacológica adicional contra bactérias que possam contaminar o campo operatório. Dessa maneira, cada camada de proteção complementa a anterior.
Quais fatores aumentam o risco de infecção?
Nem todos os pacientes possuem o mesmo nível de risco. Nesse sentido, a meta-análise publicada em 2024 no periódico Andrologia identificou fatores preditivos significativos para infecção em prótese peniana. Conhecê-los ajuda tanto o paciente quanto o cirurgião a planejar estratégias preventivas individualizadas.
Antes de tudo, o diabetes mal controlado ocupa posição de destaque entre os fatores de risco. Pacientes com hemoglobina glicada (HbA1c) acima de 8,5% apresentam risco elevado quando comparados àqueles com controle glicêmico adequado. Na mesma meta-análise, a média de HbA1c em pacientes que desenvolveram infecção foi de 8,37%, contra 7,17% nos pacientes sem essa complicação. Isso não significa que homens diabéticos não possam receber a prótese, mas sim que o controle metabólico prévio se torna ainda mais importante.
De forma semelhante, cirurgias de revisão ou troca de dispositivo também carregam risco maior. Enquanto a taxa de infecção em implantes primários gira em torno de 1% a 3%, em procedimentos de revisão esse número pode chegar a 13,3% sem as medidas preventivas adequadas. Por esse motivo, centros especializados adotam protocolos rigorosos nesses casos.
Outros fatores identificados na literatura incluem tabagismo, que compromete a microcirculação e a cicatrização tecidual, além de lesões medulares, que podem alterar a resposta imunológica local.
Por outro lado, fatores como idade acima de 75 anos, obesidade isolada e histórico de radioterapia pélvica não demonstraram aumento estatisticamente significativo do risco de infecção nos estudos analisados.
Como o urologista trabalha para prevenir a infecção?
O protocolo de prevenção de infecção em cirurgia de prótese peniana envolve cuidados antes, durante e depois do procedimento. Desse modo, cada etapa tem uma função específica na construção de uma barreira eficaz contra microrganismos.
No pré-operatório, por exemplo, o cirurgião solicita exames para avaliar condições metabólicas como diabetes e realiza urocultura para descartar infecção urinária ativa. Além disso, o paciente recebe orientações sobre preparo da pele, higiene e, quando necessário, tricotomia com aparador elétrico (e não lâmina, que pode causar microlesões na pele).
Durante a cirurgia, a equipe utiliza solução de clorexidina para antissepsia do campo operatório, que demonstrou superioridade sobre soluções à base de iodo. Ao mesmo tempo, o cirurgião administra antibióticos endovenosos profiláticos, limita o número de profissionais na sala e realiza trocas de luvas em momentos críticos. A prótese, por sua vez, permanece imersa em solução antibiótica até o momento da inserção, e a técnica “no-touch” reduz ao mínimo o contato do dispositivo com a pele.
Após o procedimento, o paciente recebe antibioticoterapia oral por período determinado e orientações detalhadas sobre cuidados com a ferida cirúrgica, sinais de alerta e restrições de atividades. Consequentemente, o acompanhamento regular com o urologista especialista em prótese peniana nas primeiras semanas torna-se parte essencial desse protocolo.
Quais são os sinais de infecção que o paciente deve observar?
Após a cirurgia de prótese peniana, o corpo precisa de tempo para cicatrizar. Naturalmente, algum grau de inchaço, desconforto e vermelhidão local nos primeiros dias é esperado e faz parte do processo normal de recuperação. Contudo, a questão está em saber diferenciar o que é natural do que pode sinalizar um problema.
Em especial, os sinais que merecem atenção incluem febre persistente acima de 38°C que não cede com analgésicos comuns, vermelhidão que se expande progressivamente ao redor da incisão, dor que piora ao invés de melhorar com o passar dos dias, saída de secreção com cheiro forte ou coloração amarelada/esverdeada pela ferida e, ainda, endurecimento excessivo dos tecidos ao redor do implante.
De acordo com a literatura, a maioria das infecções em prótese peniana se manifesta em dois momentos: nas primeiras semanas após a cirurgia (infecção aguda) ou meses depois, de forma mais insidiosa (infecção subclínica). Nesse segundo caso, o paciente pode notar desconforto persistente, dor crônica ou até mesmo exposição parcial do dispositivo através da pele.
Ao perceber qualquer um desses sinais, o paciente deve entrar em contato imediato com o urologista. Afinal, o diagnóstico precoce faz toda a diferença no manejo, pois permite intervenções menos invasivas e com maior chance de preservar o dispositivo.
A infecção significa perder a prótese peniana?
Essa é uma preocupação legítima. Até algumas décadas atrás, a conduta padrão diante de uma infecção era remover completamente a prótese e aguardar meses para uma nova tentativa. Felizmente, a abordagem evoluiu bastante desde então.
Hoje, por exemplo, existe a técnica de “salvage” (resgate), na qual o cirurgião remove o dispositivo infectado, realiza lavagem exaustiva das cavidades com soluções antibióticas e, no mesmo ato cirúrgico, implanta uma nova prótese estéril. Essa técnica, segundo os estudos publicados, apresenta taxa de sucesso em torno de 84% e evita a perda de comprimento peniano e a fibrose intensa que ocorrem quando o paciente fica meses sem o dispositivo.
Ainda assim, nem todos os casos permitem esse procedimento. A decisão depende da gravidade da infecção, do estado clínico do paciente e da experiência do cirurgião. Porém, saber que existe essa possibilidade traz mais segurança para quem está avaliando o tratamento com implante de prótese peniana.
Diabetes e prótese peniana: o risco é muito maior?
O diabetes merece um tópico à parte porque muitos homens com disfunção erétil grave são diabéticos. Inclusive, essa condição está entre as causas mais comuns de impotência sexual refratária a medicamentos.
Na prática, o diabetes por si só não impede o procedimento. O que os estudos mostram, na verdade, é que o controle glicêmico adequado antes da cirurgia pode aproximar o risco de infecção ao de um paciente não diabético. Nesse contexto, a hemoglobina glicada abaixo de 8,5% é um parâmetro frequentemente citado como limiar seguro, embora a literatura ainda não defina um ponto de corte absoluto.
Por essa razão, o acompanhamento endocrinológico em conjunto com o urologista otimiza os resultados nesses pacientes. A combinação de controle metabólico rigoroso, uso de próteses com revestimento antibiótico e técnica cirúrgica apurada permite, portanto, que homens diabéticos se beneficiem do tratamento com segurança.
Prótese inflável ou maleável: uma é mais segura que a outra?
Os dados disponíveis sugerem que próteses maleáveis (semirrígidas) podem apresentar uma taxa de infecção ligeiramente superior às infláveis em algumas séries. Mais especificamente, a meta-análise de 2024 encontrou uma razão de chances (OR) de 3,51 favorecendo as infláveis nesse quesito. Isso pode estar relacionado a diferenças na vascularização local, na complexidade do procedimento ou no perfil dos pacientes que recebem cada tipo.
No entanto, essa diferença isolada não deve ser o único critério de escolha entre os tipos de prótese peniana. Afinal, a destreza manual do paciente, suas expectativas sobre naturalidade da ereção e flacidez, estilo de vida e condições clínicas pesam na decisão. Sendo assim, a escolha deve acontecer em conjunto com o urologista, que avalia o contexto completo do caso.
Para entender melhor as diferenças entre os modelos, veja como funciona a prótese inflável e a maleável.
O medo de infecção deve impedir a decisão pela prótese?
O medo existe e precisa ser respeitado. De fato, nenhum paciente deve se sentir pressionado a tomar uma decisão sem estar confortável com as informações que recebeu. Ao mesmo tempo, é importante que esse medo seja proporcional ao risco real.
Os números mostram que, em centros especializados com cirurgiões experientes, a taxa de infecção em implantes primários está abaixo de 1%. Em contrapartida, a taxa de satisfação com a prótese peniana supera 92% entre pacientes e parceiras, segundo dados publicados na literatura científica. Ou seja, muitos homens que passaram anos evitando o procedimento relatam que gostariam de ter feito antes.
A disfunção erétil grave compromete não apenas a vida sexual, mas também a saúde emocional, a autoestima e os relacionamentos. Quando outros tratamentos falharam ou não são mais viáveis, a prótese peniana oferece, portanto, uma solução com alto índice de sucesso e baixo risco de complicações sérias.
Conheça também as vantagens e desvantagens da prótese peniana e, da mesma forma, as possíveis complicações do procedimento para formar uma visão completa sobre o tema.
Quando procurar um especialista?
Se você convive com disfunção erétil que não responde a medicamentos orais ou ao tratamento injetável peniano, então buscar a avaliação de um urologista com experiência em medicina sexual é o passo mais importante. Dessa forma, uma consulta individualizada permite entender seu risco real, esclarecer dúvidas específicas e planejar o tratamento com segurança.
Adiar a consulta não elimina o problema. Pelo contrário, pode agravar o impacto emocional e dificultar tratamentos futuros. Em resumo, a informação de qualidade é o melhor antídoto contra o medo que paralisa decisões.
Agende sua consulta com o Dr. Tiago Mierzwa Andrologista e Urologista com atuação em Medicina Sexual em Curitiba
Não deixe o medo de complicações impedir você de retomar sua vida sexual com segurança e qualidade.
Agende sua consulta com o Dr. Tiago Mierzwa
Dr. Tiago Mierzwa é médico Urologista e Andrologista com atuação em Medicina Sexual, Mestre em Clínica Cirúrgica pela Universidade Federal do Paraná e referência em Curitiba no tratamento da disfunção erétil e implante de prótese peniana. Com formação em centros de excelência nos Estados Unidos (Rush University, Chicago), Espanha e Argentina, coordena cursos de formação em implante de prótese peniana inflável e realiza proctoria para colegas em casos de maior complexidade.
Referências científicas:
- Penile implant infection: Risk factors, prevention, and management. International Journal of Reconstructive Urology, 2024. Disponível em: Lwwjournals.lww.com/ijoru/fulltext/2024/02020/penile_implant_infection__risk_factors,.2.aspx
- Risk factors for penile prosthesis infection: An umbrella review and meta-analysis. PMC/National Library of Medicine, 2024. Disponível em: NihRisk factors for penile prosthesis infection: An umbrella review and meta-analysis
- Penile Prosthesis Infection: Myths and Realities. PMC/National Library of Medicine, 2019. Disponível em: NihPenile Prosthesis Infection: Myths and Realities
- Perioperative infection prevention during inflatable penile prosthesis surgery: a narrative review. Translational Andrology and Urology, 2024. Disponível em: NihPerioperative infection prevention during inflatable penile prosthesis surgery: a narrative review
- Penile implant infection prevention part II: device coatings have changed the game. PMC/National Library of Medicine, 2022. Disponível em: NihPenile implant infection prevention part II: device coatings have changed the game

Infecção após colocar a prótese peniana pode acontecer?
A pergunta sobre se a infecção após colocar a prótese peniana pode acontecer é, sem dúvida, uma das dúvidas mais frequentes entre homens que consideram



