Exercícios recomendados para Peyronie: o que a ciência diz e o que evitar
A doença de Peyronie é causada pelo acúmulo de placas de colágeno desorganizado na túnica albugínea, a camada fibrosa que envolve os corpos cavernosos do pênis. Como consequência, essa formação fibrosa gera curvatura peniana, dor durante a ereção e, em casos mais graves, disfunção erétil e impossibilidade de penetração. Quando algum homem percebe uma curvatura anormal no pênis e recebe o diagnóstico, uma pergunta comum é se existem exercícios recomendados para Peyronie.
Diante de um diagnóstico com esse impacto na vida sexual e emocional, muitos homens buscam alternativas que possam ser feitas em casa, sem cirurgia. Por isso, exercícios e técnicas manuais aparecem com frequência nessas pesquisas.
Este artigo apresenta o que a literatura médica atual realmente sustenta a respeito desse assunto, sem promessas que a ciência não faz.
⚠ Aviso importante: Nenhuma técnica de exercício ou manipulação manual possui aprovação científica como tratamento primário da doença de Peyronie. Além disso, a automedicação ou a prática sem supervisão médica pode agravar a condição. Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta com um especialista.
Tire todas as suas dúvidas com o Dr. Tiago Mierzwa, Urologista e Andrologista referência no tratamento da doença de Peyronie em Curitiba.
O primeiro passo ao notar uma curvatura peniana, é conversar com um médico especialista para receber uma avaliação individualizada.
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Dr. Tiago
Mierzwa

– Mestre em Clínica Cirúrgica pela Universidade Federal do Paraná
– Coordenador dos Serviços de Andrologia do Hospital Nossa Senhora das Graças e Hospital Universitário Cajuru
– Membro Professor do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia
– Membro da Sociedade Brasileira de Urologia/ American Urological Association/ International Society for Sexual Medicine/ Sociedade LatinoAmericana de Medicina Sexual
– ABEMSS/ Confederación Americana de Urologia/ Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
O que a literatura científica diz sobre exercícios recomendados para Peyronie?
Até a data de publicação deste artigo, nenhum estudo clínico randomizado de alta qualidade demonstrou que exercícios manuais, tais como jelqing, tração manual ou alongamentos, sejam eficazes para reduzir a placa fibrosa ou corrigir a curvatura peniana de forma permanente na doença de Peyronie.
Além disso, as diretrizes da American Urological Association (AUA, 2022) e da European Association of Urology (EAU, 2023) não incluem exercícios manuais como opção terapêutica validada. Técnicas como jelqing, em particular, estão associadas a risco real de complicações — incluindo microtraumas repetitivos que podem piorar a fibrose, reduzir a sensibilidade peniana e, consequentemente, precipitar disfunção erétil.
Quais exercícios recomendados para Peyronie têm suporte científico?
Dispositivos de tração peniana (extensor peniano)
Esta é a única abordagem mecânica com alguma evidência na literatura especializada para casos selecionados de Peyronie. Especificamente, estudos publicados no Journal of Sexual Medicine avaliaram o uso de extensores penianos, dispositivos de tração de baixa intensidade aplicados por horas ao dia, e observaram redução modesta da curvatura em pacientes com doença na fase estável, e não na fase aguda ou inflamatória.
No entanto, os resultados variam significativamente entre os pacientes, e o uso exige prescrição e acompanhamento médico. Portanto, o dispositivo não substitui o tratamento clínico ou cirúrgico quando há indicação estabelecida.
Fisioterapia pélvica e pelviperineal
Para homens com Peyronie associada a disfunção erétil ou dor pélvica crônica, a fisioterapia especializada do assoalho pélvico pode fazer parte do protocolo de reabilitação. Embora essa abordagem não aja diretamente sobre a placa fibrosa, ela contribui para a função erétil e a qualidade de vida, sendo, portanto, uma estratégia adjuvante, nunca principal.
A fase da doença é determinante: A Peyronie tem duas fases clínicas, a fase aguda (com inflamação, dor e curvatura progressiva, geralmente até 18 meses) e a fase estável (curvatura estabilizada, sem dor). Por essa razão, qualquer abordagem mecânica ou física é contraindicada na fase aguda, pois pode agravar a lesão tecidual.
Quais técnicas para tratamento da Peyronie devem ser evitadas?
As práticas abaixo não têm eficácia comprovada para Peyronie e, além disso, apresentam riscos graves para a saúde do pênis:
Jelqing: sem eficácia comprovada para Peyronie. Há risco de fibrose adicional, perda de sensibilidade e piora erétil.
Alongamentos manuais vigorosos: microtraumas repetitivos na túnica albugínea podem recrudescer a placa fibrosa.
Ereções forçadas com pressão manual: especialmente contraindicadas na fase aguda da doença.
Protocolos de fóruns e vídeos sem autoria médica: não têm base científica e, por isso, apresentam riscos reais.
Atenção: O jelqing e outros exercícios manuais não são recomendados para o tratamento da doença de Peyronie. Da mesma forma, publicações anteriores que sugeriam sua eficácia não possuem respaldo nas diretrizes médicas atuais da AUA (2022) e EAU (2023).
Quando a intervenção médica é necessária para tratamento da Peyronie?
O tratamento da doença de Peyronie com evidência de alta qualidade inclui opções clínicas e cirúrgicas, dependendo do estágio e da gravidade. Nesse contexto, a colagenase de Clostridium histolyticum (CCH), aprovada pela FDA e indicada em casos específicos, e a cirurgia (plicatura, enxerto ou prótese peniana) são as abordagens com maior grau de recomendação nas diretrizes internacionais.
Em todo caso, a definição do tratamento adequado depende de avaliação individualizada: grau de curvatura, fase da doença, presença de disfunção erétil associada e expectativas do paciente. Portanto, não existe protocolo único aplicável a todos os casos.
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Dr. Tiago Mierzwa, Urologista e Andrologista
CRM-PR 32299 – RQE 24845
Endereço do Consultório: Urocentro | Rua Portugal 307, São Francisco, Curitiba – PR
Referências científicas
Nehra A, et al. Peyronie’s Disease: AUA Guideline. Journal of Urology. 2015;194(3):745–753. Reafirmado e atualizado em 2022. Disponível em: auajournals.org
Salonia A, et al. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health. European Association of Urology. 2023. Disponível em: uroweb.org
Gontero P, et al. The use of penile extender device in the treatment of penile curvature as a result of Peyronie’s disease. BJU International. 2009;103(6):793–797. doi:10.1111/j.1464-410X.2008.08150.x
Levine LA, Burnett AL. Standard operating procedures for Peyronie’s disease. Journal of Sexual Medicine. 2013;10(1):230–244. doi:10.1111/j.1743-6109.2012.02822.x
Capoccia E, Levine LA. Contemporary review of Peyronie’s disease treatment. Current Urology Reports. 2018;19(7):51. doi:10.1007/s11934-018-0804-5
Autor

Dr. Tiago Mierzwa é urologista e andrologista em Curitiba, referência nacional em medicina sexual masculina, andrologia e cirurgias urológicas de alta complexidade. Sua atuação abrange o tratamento da disfunção erétil, implante de prótese peniana inflável e maleável, doença de Peyronie (curvatura peniana), varicocele, infertilidade masculina, vasectomia sem cortes, reversão de vasectomia microcirúrgica, postectomia com grampeador, engrossamento peniano com ácido hialurônico (Urofill), reabilitação sexual pós-câncer de próstata e reposição de testosterona.
Em 2025, tornou-se o 1º Centro de Excelência em Prótese Peniana Inflável Coloplast do Sul do Brasil e o 3º do país — certificação concedida a cirurgiões com alto volume cirúrgico, resultados clínicos consistentes e aderência a rigorosos padrões técnicos e científicos. Em 2024, recebeu o Prêmio Urofill Master Sculptor pela excelência na técnica de engrossamento peniano, sendo também Urofill Local Trainer, chancelado pelo Dr. Paul Perito, criador da técnica.
Graduado pela Faculdade Assis Gurgacz (FAG), realizou residência em Cirurgia Geral no Hospital Universitário do Oeste do Paraná e residência em Urologia no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba. Aprofundou sua formação em Andrologia no Projeto ALFA, em São Paulo, e realizou Observership em Medicina Sexual na Rush University, em Chicago (EUA), onde aprimorou técnicas minimamente invasivas para implante de prótese peniana e tratamento da disfunção erétil. É Mestre em Clínica Cirúrgica pela UFPR. Mantém atualização contínua com treinamentos em Londres, Istambul, Barcelona, Minneapolis, Miami, Las Vegas, Bogotá e São Paulo.
Coordena cursos de formação de urologistas em implante de prótese peniana inflável e atua como organizador de eventos científicos em andrologia no Brasil e no exterior.
É Chefe do Serviço de Andrologia do Hospital Universitário Cajuru (HUC/PUC-PR) e do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), além de Preceptor da Residência de Urologia nessas instituições. Atende em Curitiba nos hospitais Nossa Senhora das Graças, Vita Curitiba, Marcelino Champagnat, Santa Cruz (Rede D'Or) e Universitário Cajuru, e integra a equipe da Androlab — Clínica da Fertilidade.
Membro Professor do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e do Comitê de Relações Exteriores da SBU. Integra ainda a American Urological Association (AUA), Sociedade Europeia de Urologia (EAU), Society of Urologic Prosthetic Surgeons (SUPS), Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM), Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS), Confederación Americana de Urología (CAU) e Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.
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