A dor testicular associada à varicocele é uma queixa que afeta de 2% a 10% dos homens com essa condição. Embora muitos pacientes descubram a varicocele durante a investigação de infertilidade, a dor crônica no testículo representa, por si só, uma indicação legítima para buscar tratamento. Além disso, muitos homens convivem com o desconforto por meses ou até anos sem saber que existem diferentes abordagens — e que a cirurgia não é necessariamente o primeiro passo.
Neste artigo, você vai entender a relação entre dor testicular e varicocele tratamentos disponíveis, desde medidas conservadoras até a correção cirúrgica microcirúrgica. O objetivo é esclarecer quando cada abordagem faz sentido e por que a dor, mesmo na ausência de infertilidade, merece atenção médica especializada.
O que é a varicocele e por que ela causa dor?
A varicocele consiste na dilatação anormal das veias que drenam o sangue dos testículos, dentro do chamado plexo pampiniforme. Em termos simples, trata-se de varizes na bolsa escrotal. Essa condição atinge cerca de 15% dos homens e costuma afetar predominantemente o lado esquerdo, por razões anatômicas.
Nem todo homem com varicocele sente dor. No entanto, quando a dor aparece, ela geralmente se manifesta como um desconforto arrastado, uma sensação de peso no escroto ou uma dor surda que piora ao longo do dia. Atividades como ficar em pé por longos períodos, exercício físico intenso e dias quentes costumam agravar o quadro. Por outro lado, deitar alivia o sintoma na maioria dos casos.
Os mecanismos que explicam a dor ainda não estão completamente esclarecidos. Contudo, pesquisadores apontam fatores como a compressão de fibras nervosas pelas veias dilatadas, o aumento da temperatura escrotal e o estresse oxidativo no tecido testicular. Dessa forma, a dor não é apenas um “incômodo passageiro” — ela pode refletir alterações reais no ambiente testicular.
Para entender melhor os sinais dessa condição, veja quais são os sintomas de varicocele e quando procurar um urologista.
Dr. Tiago
Mierzwa


– Mestre em Clínica Cirúrgica pela Universidade Federal do Paraná
– Coordenador dos Serviços de Andrologia do Hospital Nossa Senhora das Graças e Hospital Universitário Cajuru
– Membro Professor do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia
– Membro da Sociedade Brasileira de Urologia/ American Urological Association/ International Society for Sexual Medicine/ Sociedade LatinoAmericana de Medicina Sexual
– ABEMSS/ Confederación Americana de Urologia/ Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
Dor testicular e varicocele: quando o problema vai além da fertilidade
É comum associar a varicocele exclusivamente à infertilidade masculina. De fato, a varicocele representa a principal causa tratável de infertilidade por fator masculino. No entanto, nem todo paciente com varicocele busca paternidade — e nem por isso a dor deve ser ignorada.
A dor testicular crônica pode comprometer significativamente a qualidade de vida. Muitos homens relatam que deixam de praticar esportes, evitam esforço físico e até se afastam de atividades sociais por causa do desconforto constante. Além disso, a insegurança e a ansiedade geradas pelo sintoma costumam atrasar a procura por ajuda profissional.
De acordo com a literatura médica, a dor crônica associada à varicocele é uma indicação funcional para tratamento, independentemente do desejo reprodutivo. Ou seja, o médico pode recomendar intervenção com base na dor e no impacto funcional, mesmo quando o espermograma apresenta valores normais.
Se você deseja saber mais sobre o que pode causar dor crônica no testículo, acesse nosso conteúdo completo sobre o tema.
Diagnóstico: como identificar a varicocele como causa da dor
Antes de iniciar qualquer tratamento, o urologista precisa confirmar que a varicocele é, de fato, a origem do desconforto. Esse passo é fundamental porque a dor testicular crônica pode ter diversas causas, como epididimite, hérnia inguinal, cistos, compressão nervosa e até dor referida da coluna lombar.
O diagnóstico da varicocele envolve:
- Exame físico detalhado: o médico avalia a presença de veias dilatadas no escroto, com o paciente em pé e, quando necessário, durante a manobra de Valsalva
- Ultrassonografia escrotal com Doppler: confirma a dilatação venosa, mede o refluxo e avalia o volume testicular
- Espermograma: mesmo em pacientes sem queixa de infertilidade, esse exame ajuda a avaliar o impacto funcional da varicocele sobre os testículos
A classificação em graus (I, II e III) auxilia o médico a definir a gravidade e planejar a conduta mais adequada. Dessa maneira, o tratamento pode ser personalizado conforme as necessidades de cada paciente.
Conheça mais sobre o que é a varicocele e como o diagnóstico é realizado.
Dor testicular e varicocele tratamentos conservadores: o primeiro passo
O manejo da dor testicular associada à varicocele costuma começar por medidas conservadoras. Essa etapa é importante porque permite avaliar a resposta do paciente antes de considerar a intervenção cirúrgica. Entre as principais opções estão:
Medicação anti-inflamatória
O médico pode prescrever anti-inflamatórios não esteroidais para aliviar a dor durante crises de desconforto. No entanto, essa abordagem oferece alívio temporário e não corrige a causa do problema. Por isso, o uso prolongado deve ser acompanhado por um profissional.
Suporte escrotal
O uso de cuecas mais ajustadas ou suspensórios escrotais pode ajudar a reduzir a sensação de peso e aliviar a pressão sobre as veias dilatadas. Essa medida simples costuma trazer conforto no dia a dia, especialmente para homens que passam muitas horas em pé.
Mudanças no estilo de vida
Evitar períodos prolongados em pé, reduzir atividades que aumentam a pressão intra-abdominal e incluir pausas durante o trabalho são hábitos que podem minimizar os episódios de dor. Além disso, compressas frias na região escrotal oferecem alívio pontual em momentos de maior desconforto.
Fármacos flebotônicos
Estudos preliminares indicam que medicamentos flebotônicos, como a fração flavonoica micronizada purificada (MPFF), podem melhorar o tônus venoso e reduzir a distensão das veias. Contudo, ainda faltam ensaios clínicos robustos para confirmar essa indicação de forma definitiva.
É fundamental destacar que o tratamento conservador deve ser mantido por um período adequado — geralmente de 3 a 4 semanas — antes de considerar a cirurgia. Dessa forma, o urologista consegue avaliar se as medidas são suficientes ou se uma intervenção mais definitiva se faz necessária.
Quando a cirurgia de varicocele é indicada para dor?
A varicocelectomia — nome técnico da cirurgia de correção da varicocele — está indicada quando o tratamento conservador não alivia os sintomas de forma satisfatória. De acordo com a literatura científica, a cirurgia resolve a dor completamente em cerca de 48% a 80% dos casos e promove melhora parcial em outros 20% a 25%.
As principais indicações cirúrgicas para dor incluem:
- Dor testicular crônica que persiste por mais de três meses
- Falha do tratamento conservador após período adequado
- Varicocele clinicamente palpável (graus II e III)
- Dor do tipo surda, em peso ou latejante — que costuma apresentar melhor resposta cirúrgica
- Impacto funcional significativo na qualidade de vida do paciente
Estudos publicados no World Journal of Men’s Health e no Translational Andrology and Urology demonstram que pacientes com dor do tipo “surda” ou “em peso” apresentam taxas de sucesso cirúrgico significativamente superiores quando comparados a pacientes com dor aguda ou irradiada. Além disso, a técnica microcirúrgica subinguinal apresenta os melhores resultados em termos de resolução da dor e menores taxas de recidiva.
Para conhecer detalhes sobre como a microcirurgia de varicocele é realizada, acesse nosso artigo especializado.
Microcirurgia com Doppler: o padrão-ouro para correção da varicocele
A varicocelectomia microcirúrgica subinguinal com uso de Doppler transoperatório representa atualmente o padrão-ouro no tratamento da varicocele. Essa técnica oferece vantagens expressivas tanto para casos de infertilidade quanto para pacientes com dor crônica.
Durante o procedimento, o cirurgião realiza uma pequena incisão na região da virilha e, com o auxílio de um microscópio cirúrgico e do Doppler microvascular, identifica e liga todas as veias doentes. Ao mesmo tempo, o equipamento permite preservar com segurança as artérias testiculares, nervos e vasos linfáticos — estruturas essenciais para o funcionamento saudável do testículo.
As principais vantagens da microcirurgia com Doppler incluem:
- Taxa de recidiva inferior a 1-2%
- Menor risco de complicações como hidrocele e lesão arterial
- Recuperação mais rápida — alta hospitalar no mesmo dia
- Melhor precisão na identificação das veias afetadas
- Preservação das estruturas nobres do cordão espermático
Em comparação com técnicas laparoscópicas ou de ligadura convencional, a abordagem microcirúrgica demonstra taxas significativamente maiores de resolução completa da dor. Dessa forma, essa técnica se consolida como a escolha mais segura e eficaz para o paciente.
Saiba mais sobre as opções de tratamento para varicocele e como escolher a ideal.
A dor justifica a cirurgia mesmo sem infertilidade?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes entre homens com varicocele sintomática que não planejam ter filhos ou que já completaram a família. A resposta, segundo as evidências científicas atuais, é sim — a dor crônica constitui uma indicação independente para a varicocelectomia.
Publicações de referência, como a revisão de Paick e Choi no World Journal of Men’s Health (2019), reforçam que a varicocelectomia, em pacientes corretamente selecionados e com varicocele clinicamente palpável, resolve a dor em cerca de 80% dos casos. Além disso, a cirurgia pode prevenir danos progressivos ao tecido testicular, incluindo perda de volume e redução na produção de testosterona.
Portanto, esperar que a dor “passe sozinha” ou conviver com o desconforto não é a melhor estratégia. O acompanhamento com um urologista especializado permite avaliar a real indicação e o momento ideal para intervir.
O que esperar do pós-operatório?
A recuperação após a varicocelectomia microcirúrgica costuma ser tranquila. O paciente recebe alta no mesmo dia e pode retomar atividades leves na primeira semana. No entanto, o médico orienta evitar esforço físico intenso durante aproximadamente 30 dias.
A melhora da dor pode ser percebida já nas primeiras semanas, embora o resultado definitivo se consolide ao longo de 3 a 6 meses. Nesse período, o urologista realiza consultas de acompanhamento para avaliar a resolução dos sintomas e, quando indicado, solicita exames de controle.
É importante ressaltar que cerca de 10% dos pacientes podem manter algum grau de dor após a cirurgia. Por esse motivo, o consentimento informado antes do procedimento deve abordar essa possibilidade. Em contrapartida, a ampla maioria experimenta melhora significativa na qualidade de vida.
Dor no testículo ao final do dia: um sinal que merece atenção
Muitos homens percebem que o desconforto testicular se intensifica ao final do dia, especialmente após jornadas longas de trabalho ou atividades em pé. Essa característica é bastante sugestiva de varicocele, já que o acúmulo de sangue nas veias dilatadas se agrava com a posição ortostática prolongada.
Se você apresenta esse padrão de dor, o primeiro passo é buscar avaliação médica. Não ignore sintomas que se repetem com frequência, pois quanto antes o diagnóstico for estabelecido, mais opções terapêuticas estarão disponíveis.
Conheça mais sobre dor no testículo ao final do dia e o que pode significar.
Quando procurar um urologista?
Procure um urologista especializado sempre que apresentar:
- Dor testicular persistente ou recorrente por mais de algumas semanas
- Sensação constante de peso na bolsa escrotal
- Veias visíveis ou palpáveis no escroto
- Piora dos sintomas com atividade física ou ao final do dia
- Qualquer alteração no tamanho ou formato dos testículos
- Dificuldade para engravidar associada ao desconforto
O diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado podem evitar o avanço dos danos testiculares e oferecer as melhores chances de recuperação — seja por medidas conservadoras, seja pela correção cirúrgica.
Conheça a página completa sobre varicocele e suas opções de tratamento.
Agende sua consulta com o Dr. Tiago Mierzwa
O Dr. Tiago Mierzwa é Urologista e Andrologista referência em Curitiba no tratamento de varicocele, com ampla experiência em microcirurgia com Doppler transoperatório. Mestre em Clínica Cirúrgica pela UFPR e Coordenador dos Serviços de Andrologia do Hospital Nossa Senhora das Graças e do Hospital Universitário Cajuru, o Dr. Tiago oferece atendimento personalizado com foco na recuperação funcional e na qualidade de vida do paciente.
Não deixe a dor testicular comprometer seu dia a dia, seu bem-estar e sua confiança.
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Referências científicas:
- Paick S, Choi WS. Varicocele and Testicular Pain: A Review. World J Mens Health. 2019;37(1):4-11. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6305863/
- Owen RC, McCormick BJ, Figler BD, Coward RM. A review of varicocele repair for pain. Transl Androl Urol. 2017;6(Suppl 1):S20-S29. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5503918/
- Shridharani A, Lockwood G, Sandlow J. Varicocelectomy in the treatment of testicular pain: a review. Curr Opin Urol. 2012;22(6):499-506. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22965318/
- Pastore AL et al. Should we expand the indications for varicocele treatment? Transl Androl Urol. 2017;6(Suppl 1):S94-S101. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5673807/
Autor

Dr. Tiago Mierzwa é urologista e andrologista em Curitiba, referência nacional em medicina sexual masculina, andrologia e cirurgias urológicas de alta complexidade. Sua atuação abrange o tratamento da disfunção erétil, implante de prótese peniana inflável e maleável, doença de Peyronie (curvatura peniana), varicocele, infertilidade masculina, vasectomia sem cortes, reversão de vasectomia microcirúrgica, postectomia com grampeador, engrossamento peniano com ácido hialurônico (Urofill), reabilitação sexual pós-câncer de próstata e reposição de testosterona.
Em 2025, tornou-se o 1º Centro de Excelência em Prótese Peniana Inflável Coloplast do Sul do Brasil e o 3º do país — certificação concedida a cirurgiões com alto volume cirúrgico, resultados clínicos consistentes e aderência a rigorosos padrões técnicos e científicos. Em 2024, recebeu o Prêmio Urofill Master Sculptor pela excelência na técnica de engrossamento peniano, sendo também Urofill Local Trainer, chancelado pelo Dr. Paul Perito, criador da técnica.
Graduado pela Faculdade Assis Gurgacz (FAG), realizou residência em Cirurgia Geral no Hospital Universitário do Oeste do Paraná e residência em Urologia no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba. Aprofundou sua formação em Andrologia no Projeto ALFA, em São Paulo, e realizou Observership em Medicina Sexual na Rush University, em Chicago (EUA), onde aprimorou técnicas minimamente invasivas para implante de prótese peniana e tratamento da disfunção erétil. É Mestre em Clínica Cirúrgica pela UFPR. Mantém atualização contínua com treinamentos em Londres, Istambul, Barcelona, Minneapolis, Miami, Las Vegas, Bogotá e São Paulo.
Coordena cursos de formação de urologistas em implante de prótese peniana inflável e atua como organizador de eventos científicos em andrologia no Brasil e no exterior.
É Chefe do Serviço de Andrologia do Hospital Universitário Cajuru (HUC/PUC-PR) e do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), além de Preceptor da Residência de Urologia nessas instituições. Atende em Curitiba nos hospitais Nossa Senhora das Graças, Vita Curitiba, Marcelino Champagnat, Santa Cruz (Rede D'Or) e Universitário Cajuru, e integra a equipe da Androlab — Clínica da Fertilidade.
Membro Professor do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e do Comitê de Relações Exteriores da SBU. Integra ainda a American Urological Association (AUA), Sociedade Europeia de Urologia (EAU), Society of Urologic Prosthetic Surgeons (SUPS), Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM), Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS), Confederación Americana de Urología (CAU) e Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.
CRM-PR 32299 | RQE 24845


