Como Surge a Doença de Peyronie? Entenda as Fases e o Início da Curvatura Peniana

Como surge a doença de peyronie?

Muitos homens percebem uma curvatura no pênis durante a ereção e se perguntam: como surge a doença de Peyronie? Essa dúvida é natural, já que nem toda curvatura significa um problema de saúde. Algumas variações anatômicas são completamente normais. No entanto, quando a curvatura aparece de forma progressiva, acompanhada de dor ou nódulos palpáveis, o cenário muda. Nesse caso, pode se tratar de uma condição urológica que merece atenção especializada.

Neste artigo, você vai entender o que acontece no interior do pênis para que a doença de Peyronie se desenvolva, quais são as suas fases, por que alguns homens relatam um início súbito e como diferenciar uma curvatura normal de um sinal de alerta. Além disso, vamos abordar os fatores de risco e a importância de procurar avaliação médica no momento certo.

O que é a doença de Peyronie e por que ela provoca curvatura?

A doença de Peyronie é uma condição caracterizada pela formação de placas fibrosas na túnica albugínea — a membrana que reveste os corpos cavernosos do pênis. Essa membrana normalmente possui elasticidade, permitindo que o pênis se expanda de forma uniforme durante a ereção.

Quando uma placa de tecido cicatricial se forma em determinado ponto da túnica albugínea, essa região perde a capacidade de se expandir. Como resultado, o pênis curva na direção da placa durante a ereção. A curvatura pode ser para cima, para baixo ou para os lados, dependendo da localização da fibrose.

É importante destacar que a doença de Peyronie não é um câncer e não representa risco à vida. Contudo, ela pode comprometer significativamente a função sexual e a qualidade de vida do homem.

Dr. Tiago

Mierzwa

– Mestre em Clínica Cirúrgica pela Universidade Federal do Paraná

– Coordenador dos Serviços de Andrologia do Hospital Nossa Senhora das Graças e Hospital Universitário Cajuru

– Membro Professor do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia

– Membro da Sociedade Brasileira de Urologia/ American Urological Association/ International Society for Sexual Medicine/ Sociedade LatinoAmericana de Medicina Sexual

– ABEMSS/ Confederación Americana de Urologia/ Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida

Como surge a doença de Peyronie: o papel dos microtraumas

A ciência ainda não definiu uma causa única para a doença de Peyronie. No entanto, a teoria mais aceita pela comunidade médica envolve microtraumas repetidos na região peniana. Esses pequenos traumas ocorrem, na maioria das vezes, durante a atividade sexual, e podem passar despercebidos.

Em homens com predisposição genética ou fatores de risco associados, esses microtraumas desencadeiam uma resposta inflamatória desproporcional. O corpo tenta reparar o tecido lesionado, mas o processo de cicatrização se desregula. Assim, em vez de uma cicatriz normal, forma-se uma placa fibrosa rígida, com excesso de colágeno e redução das fibras elásticas.

Além dos microtraumas durante o sexo, outras situações podem contribuir para o surgimento da doença:

  • Traumas diretos no pênis ereto, como durante atividades esportivas
  • Procedimentos urológicos prévios, como cistoscopia ou cateterismo
  • Fraturas penianas (mesmo que tratadas adequadamente)

Dessa forma, o surgimento da doença costuma envolver uma combinação de trauma, predisposição individual e resposta inflamatória alterada.

Fase inflamatória (aguda): quando a doença começa

A doença de Peyronie apresenta duas fases clínicas bem definidas. A primeira delas é a fase inflamatória, também chamada de fase aguda. Esse estágio inicial pode durar entre 3 e 18 meses, com variações de acordo com cada paciente.

Durante a fase aguda, o homem costuma perceber os seguintes sinais:

  • Dor peniana: geralmente durante a ereção, mas pode ocorrer também no pênis flácido
  • Curvatura progressiva: a deformidade tende a piorar ao longo das semanas ou meses
  • Nódulo ou placa palpável: é possível sentir um endurecimento localizado no corpo do pênis
  • Encurtamento peniano: muitos homens relatam redução no comprimento durante a ereção

Nessa fase, a inflamação está ativa no tecido da túnica albugínea. O processo fibrótico está em andamento, e a placa ainda se encontra em formação. Por isso, os especialistas recomendam iniciar o tratamento conservador assim que o diagnóstico é feito, visando controlar a progressão da curvatura.

É fundamental ressaltar que a fase inflamatória representa uma janela de oportunidade terapêutica. O tratamento precoce pode influenciar positivamente a evolução da doença.

Fase estável (crônica): quando a curvatura se estabiliza

Após o período inflamatório, a doença entra na fase estável ou crônica. Nesse estágio, a placa fibrosa se consolida e a curvatura peniana para de progredir. A dor, que costuma ser a queixa mais incômoda na fase inicial, tende a desaparecer na maioria dos pacientes.

As principais características da fase crônica incluem:

  • Estabilização da curvatura por pelo menos 3 a 6 meses consecutivos
  • Resolução da dor na grande maioria dos casos
  • Manutenção da placa fibrosa, que pode inclusive calcificar em alguns pacientes
  • Possível disfunção erétil associada, presente em 20% a 50% dos homens com Peyronie

Essa fase é considerada o momento mais adequado para avaliação cirúrgica, caso a deformidade comprometa a função sexual. Segundo a European Association of Urology (EAU), a cirurgia deve aguardar pelo menos 3 meses de estabilidade da curvatura antes de ser indicada.

Para saber mais sobre quando a cirurgia é indicada na doença de Peyronie, consulte nosso artigo específico sobre o tema.

Alguns homens relatam início abrupto: isso é normal?

Uma parcela significativa dos pacientes descreve o surgimento da curvatura como algo repentino. Em muitos casos, o homem relata que percebeu a curvatura “de um dia para o outro” ou após uma relação sexual específica. Embora a doença geralmente envolva um processo gradual de microtraumas acumulados, o início aparentemente abrupto pode ter algumas explicações:

Em primeiro lugar, um evento traumático mais intenso — como uma relação sexual vigorosa ou uma posição que submete o pênis a angulação forçada — pode causar uma lesão maior na túnica albugínea. Essa lesão funciona como um gatilho para a formação rápida de tecido cicatricial.

Em segundo lugar, muitos homens só percebem a curvatura quando ela atinge um grau visível. Ou seja, a placa pode já estar em formação há algum tempo, mas o paciente só nota quando a deformidade se torna evidente. Além disso, a dor aguda associada ao trauma pode ser o primeiro sinal que chama atenção para o problema.

Portanto, se você percebeu uma mudança súbita no formato do pênis — especialmente se acompanhada de dor ou nódulo palpável — o recomendado é procurar avaliação com um andrologista ou urologista especializado o mais breve possível.

Curvatura peniana normal ou doença de Peyronie? Como diferenciar

Essa é uma das dúvidas mais frequentes entre os homens que nos procuram. É perfeitamente normal que o pênis apresente uma leve curvatura natural desde a adolescência. Isso faz parte da variabilidade anatômica e, na maioria das vezes, não interfere na atividade sexual.

A curvatura se torna preocupante — e pode indicar a doença de Peyronie — quando:

  • Surgiu recentemente em um homem que antes não apresentava curvatura
  • Está progredindo, ou seja, o pênis curva cada vez mais
  • Acompanha dor durante a ereção ou em estado flácido
  • Há presença de nódulo ou endurecimento palpável no corpo do pênis
  • Compromete a relação sexual, seja pela deformidade ou pela disfunção erétil associada

Em resumo, a curvatura congênita (presente desde sempre) costuma ser estável e indolor. Já a curvatura adquirida da doença de Peyronie tende a ser progressiva, dolorosa em fases iniciais e associada a alterações palpáveis. Para um diagnóstico preciso, a avaliação médica com exame físico e, quando necessário, ultrassom peniano com Doppler é essencial.

Confira também nosso artigo sobre sintomas e causas da doença de Peyronie para uma análise mais detalhada.

Fatores de risco que favorecem o surgimento da doença

A doença de Peyronie pode afetar homens de diferentes idades, embora seja mais comum após os 40 anos. Estudos estimam que a prevalência pode chegar a 7% da população masculina adulta, e esse número provavelmente está subestimado, já que muitos homens não procuram ajuda médica.

Os principais fatores de risco incluem:

  • Predisposição genética: homens com histórico familiar de Peyronie ou doença de Dupuytren (fibrose na palma da mão) apresentam maior vulnerabilidade
  • Diabetes mellitus: a condição está associada a alterações vasculares e maior tendência à fibrose
  • Hipertensão arterial: compromete a microcirculação peniana
  • Tabagismo: causa danos progressivos aos vasos sanguíneos e ao tecido conjuntivo
  • Idade avançada: a perda natural de elasticidade dos tecidos aumenta a suscetibilidade
  • Prostatectomia radical: pacientes submetidos a cirurgia prostática têm risco elevado

Ao conhecer esses fatores, o homem pode procurar avaliação preventiva e se manter atento a eventuais mudanças na anatomia peniana. A relação entre Peyronie e disfunção erétil merece atenção especial, já que ambas as condições frequentemente coexistem.

O que acontece se a doença de Peyronie não for tratada?

Sem tratamento, a doença de Peyronie costuma seguir um dos seguintes caminhos: estabilização da curvatura (situação mais comum), piora progressiva da deformidade ou, em casos raros, melhora espontânea. Estudos mostram que menos de 10% dos pacientes apresentam resolução espontânea da curvatura.

Ao longo do tempo, a ausência de tratamento pode levar a:

  • Curvatura acentuada que impossibilita a penetração
  • Encurtamento peniano significativo
  • Disfunção erétil associada à fibrose cavernosa
  • Impacto psicológico severo, incluindo ansiedade, depressão e evitação de intimidade

Consequentemente, a doença de Peyronie não deve ser encarada como um problema menor. Quanto mais cedo o homem busca avaliação, maiores são as chances de resultados favoráveis com o tratamento — seja conservador ou cirúrgico.

Saiba mais sobre a diferença entre fibrose peniana e Peyronie e entenda quando a fibrose exige tratamento.

Quando procurar um especialista?

Procure um andrologista ou urologista sempre que perceber:

  • Curvatura peniana que não existia antes
  • Dor no pênis durante a ereção ou em estado flácido
  • Nódulo, caroço ou endurecimento ao longo do corpo do pênis
  • Dificuldade de penetração por conta da curvatura
  • Encurtamento ou afinamento do pênis
  • Qualquer alteração que esteja afetando sua vida sexual ou emocional

O diagnóstico precoce faz diferença no prognóstico da doença. O especialista pode avaliar em qual fase a doença se encontra e indicar o tratamento mais adequado para cada caso. Além disso, é importante descartar outras condições que podem simular os sintomas da doença de Peyronie.

Para entender todas as opções disponíveis, leia sobre como lidar com a doença de Peyronie e seus tratamentos.

Agende sua consulta com o Dr. Tiago Mierzwa

O Dr. Tiago Mierzwa é urologista e andrologista referência em Curitiba no diagnóstico e tratamento da doença de Peyronie. Mestre em Clínica Cirúrgica pela Universidade Federal do Paraná e com formação internacional em medicina sexual, ele oferece uma abordagem personalizada, baseada em evidências científicas e focada na recuperação funcional do paciente.

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Autor

  • Dr. Tiago Mierzwa é urologista e andrologista em Curitiba, referência nacional em medicina sexual masculina, andrologia e cirurgias urológicas de alta complexidade. Sua atuação abrange o tratamento da disfunção erétil, implante de prótese peniana inflável e maleável, doença de Peyronie (curvatura peniana), varicocele, infertilidade masculina, vasectomia sem cortes, reversão de vasectomia microcirúrgica, postectomia com grampeador, engrossamento peniano com ácido hialurônico (Urofill), reabilitação sexual pós-câncer de próstata e reposição de testosterona.

    Em 2025, tornou-se o 1º Centro de Excelência em Prótese Peniana Inflável Coloplast do Sul do Brasil e o 3º do país — certificação concedida a cirurgiões com alto volume cirúrgico, resultados clínicos consistentes e aderência a rigorosos padrões técnicos e científicos. Em 2024, recebeu o Prêmio Urofill Master Sculptor pela excelência na técnica de engrossamento peniano, sendo também Urofill Local Trainer, chancelado pelo Dr. Paul Perito, criador da técnica.

    Graduado pela Faculdade Assis Gurgacz (FAG), realizou residência em Cirurgia Geral no Hospital Universitário do Oeste do Paraná e residência em Urologia no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba. Aprofundou sua formação em Andrologia no Projeto ALFA, em São Paulo, e realizou Observership em Medicina Sexual na Rush University, em Chicago (EUA), onde aprimorou técnicas minimamente invasivas para implante de prótese peniana e tratamento da disfunção erétil. É Mestre em Clínica Cirúrgica pela UFPR. Mantém atualização contínua com treinamentos em Londres, Istambul, Barcelona, Minneapolis, Miami, Las Vegas, Bogotá e São Paulo.

    Coordena cursos de formação de urologistas em implante de prótese peniana inflável e atua como organizador de eventos científicos em andrologia no Brasil e no exterior.

    É Chefe do Serviço de Andrologia do Hospital Universitário Cajuru (HUC/PUC-PR) e do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), além de Preceptor da Residência de Urologia nessas instituições. Atende em Curitiba nos hospitais Nossa Senhora das Graças, Vita Curitiba, Marcelino Champagnat, Santa Cruz (Rede D'Or) e Universitário Cajuru, e integra a equipe da Androlab — Clínica da Fertilidade.

    Membro Professor do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e do Comitê de Relações Exteriores da SBU. Integra ainda a American Urological Association (AUA), Sociedade Europeia de Urologia (EAU), Society of Urologic Prosthetic Surgeons (SUPS), Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM), Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS), Confederación Americana de Urología (CAU) e Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.

    CRM-PR 32299 | RQE 24845

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